Ao terminar a leitura de Star Wars: Provação, tive a certeza de que a Disney acertou na decisão de desconsiderar o Universo Expandido da saga na hora de produzir seus novos filmes. Não que o livro seja ruim, mas ele se passa 40 anos depois de O Retorno de Jedi e em várias partes depende demais de um certo conhecimento de outras histórias vividas pelos personagens. A trama do livro começa quando a empresa de mineração de Lando Calrissian está sofrendo ataques constantes de piratas espaciais e ele pede ajuda aos seus velhos amigos Han Solo, Luke Skywalker e Leia Organa-Solo. Claro que os tais piratas são apenas a ponta do iceberg de uma ameaça muito maior.

Para quem assistiu apenas aos filmes, Provação apresenta um universo totalmente diferente. O Império Galáctico já não existe há muitos anos e a República segue firme e forte, apesar de alguns contratempos. Entre as grandes surpresas desta nova era está o fato de que a Nova Ordem Jedi, comandada por Luke, não é mais vista com bons olhos pela República. Tudo por causa da última guerra dos Jedi contra os Sith, que arrasou a capital Coruscant. O interessante é que isso retoma um tema antigo de Star Wars que mostrava que a população em geral da galáxia não conseguia ver muita diferença entre um Sith e um Jedi, enxergando as duas ordens apenas como duas religiões diferentes.

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Capa americana (Star Wars: Crucible)

O problema de Provação é quando o autor começa a citar alguns fatos do passado que parecem ser até mais interessantes do que a própria história do livro. Entre estes fatos temos a morte de Mara Jade, a queda de Jacen Solo para o lado negro da Força e a morte de Anakin Solo. Sem contar a cicatriz que Luke Skywalker carrega no peito após o ataque de um lorde Sith, que até tem importância na história, mas acaba ficando confusa já que não sabemos direito os efeitos da tal cicatriz. Para os mais fanáticos, essas passagens são apenas lembranças, mas para os que conhecem um pouco menos do universo do Star Wars todas essas referências acabam provocando uma vontade de conhecer todas estas outras histórias, que parecem bem mais interessantes do que a que está sendo contada ali no livro.

Apesar disso, o livro ainda apresenta bons momentos, como a utilização dos poderes da Força pelos mestres Jedi Luke e Leia. Entre os poderes que seriam muito bacanas de serem vistos nos filmes estão a capacidade de controlar os mísseis das naves (abolindo a necessidade de sensores de mira), ou ainda a incrível capacidade de cura que ambos apresentam. Também é interessante ver a interação entre Han Solo e Omar Kaed, um novo personagem que parece até uma versão mais jovem do próprio Solo. Desconfio até que ele tenha sido colocado ali justamente com o objetivo de substituir o velho contrabandista em futuras histórias. Uma pena que Han Solo também protagonize algumas das cenas mais chatas do livro. A primeira partida de Sabacc pode até ser interessante por mostrar como é o estilo de jogo de Han, mas quando pelo menos dois capítulos do livro são dedicados a uma partida isso acaba se tornando realmente chato.

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Curiosidade: Existia uma nave de treinamento chamada “Crucible (Provação)” que era usada pela Ordem Jedi.

O final da aventura deixa ainda diversos ganchos para continuações. O problema é que esses ganchos parecem ser bem mais interessantes do que a história que foi fechada no livro. Talvez fosse melhor se o autor Troy Denning tivesse amarrado todas as pontas, pois o final acabou deixando a sensação de que ficou faltando algo. Para os mais fanáticos, Star Wars: Provação é divertido e serve para vermos como estão aqueles velhos amigos 40 anos depois de derrotarem o imperador Palpatine. Já para os menos fanáticos, o livro deixa a impressão de que existem histórias bem mais interessantes do que a apresentada ali.

[quote_box_center]Esse livro foi-nos enviado pela Editora Aleph por conta de nossa parceria.[/quote_box_center]

star-wars-provacao-troy-denning-editora-alephStar Wars: Provocação (Star Wars: Crucible)

Editora: Aleph (2015)

Autor: Troy Denning

Páginas: 408

Formato: 23 x 16 cm, brochura

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