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Conheci o Felipe Castilho nos corredores e salas da Quanta Academia de Artes, naquela época éramos jovens e entusiastas dos quadrinhos. Estávamos estudando roteiro e buscando alguma forma de colocar nossas ideias no papel.

Depois nos reencontramos em diversos eventos sempre trabalhando no meio editorial e trocando figurinhas. Castilho é um daqueles caras que realmente acreditam no próprio trabalho e colocam a alma em tudo o que fazem. Seja em sua série de literatura juvenil com uma reformulação do folclore brasileiro ou em suas incursões nos quadrinhos.

Por essas e outras, não pude deixar de entrevistar esse figura e o resultado você confere agora!

Como começou sua vida de contador de histórias?

Fazendo por pura diversão e por nenhuma questão de sobrevivência, acho que fazendo gibizinhos de papel A4 dobrado dos meus heróis inventados, lá pelos 8, 9 anos, e narrando aventuras de RPG para meus amigos da escola. Por sobrevivência e alguma diversão, fazendo ghost para biografias e tentando fazer algo meu no meio disso. Tentando sobreviver e se divertir ao mesmo tempo, foi com contos e romances nunca publicados (por editores de bom-senso) há pouco mais de dez anos.

Quais as principais diferenças entre escrever livros e quadrinhos?

Por mais que o livro também envolva muita gente no processo da escrita até a publicação final, o quadrinho – no meu caso, de roteirista que não desenha – tem uma troca de ideias maior na fase criativa, onde vou tentando adequar a história que quero contar com o estilo e a pegada de quem está ilustrando. Outra coisa é que, por mais que um livro demore mais para ficar pronto, não significa que dê menos trabalho que o roteiro. Acho que a prosa me permite mais rodeios e voltas antes de ir pros finalmentes, e com a HQ eu tenho uma dinâmica que de certa forma se assemelha com a escrita de contos, indo direto ao ponto.

O que você aprendeu escrevendo O Legado Folclórico?

Poxa, acho que me sinto mais íntimo do Brasil. Sempre em uma pesquisa para algum ponto da história eu acabo descobrindo algo que eu levo comigo. Também descobri que a barreira do “não dá pra fazer fantasia com os mitos do Brasil decentemente” é bem maior do que eu pensava, inclusive em cabeça de gente do meio editorial.

Dê uma dica preciosa para quem está começando a escrever.

Não duvide de você mesmo e da sua capacidade de escrever, mas duvide sempre da sua história. Acho que fé cega de que estamos certos pode nos entregar uns trabalhos mal amarrados. Procurar falhas e brechas sempre funcionou pra mim.

Qual é o seu próximo projeto?

É o Desafiadores do Destino, uma HQ steamfantasy desenhada pelo Mauro Fodra e com cores da Mariane Gusmão. O Marcelo Campos e o Ronaldo Barata tinham uns personagens antigos bem legais, e eles me deram a liberdade de costurar a parada, criar outros personagens e o universo ao redor deles. Ela tá quase pronta e eu tô empolgadão!

Cite 5 escritores que você admira que fazem quadrinhos e literatura.

Joe Hill, Neil Gaiman, Mike Carey, Alan Moore e G. Willow Wilson.


Confira o calendário do Castilho!

27/04 – Senac Campus Santo Amaro
Semana Senac de Leitura (SP)
14:30 às 15:30 – bate-papo

28/04 – Senac Largo Treze
Semana Senac de Leitura (SP)
19:00 às 21:00 – debate sobre os desafios de ser um escritor no Brasil – com a escritora Aline Valek

De 21 a 23/04 – Geek e Game Rio Festival 2017 (RJ)
RioCentro
Todos os dias no Artway


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Raphael Fernandes é o premiado editor e roteirista da Editora Draco, especializada em quadrinhos e literatura fantástica. Entre seus trabalhos mais emblemáticos estão "Ditadura No Ar", "Apagão", "O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos" e muitos outros. Além disso, ele foi responsável pela reformulação da revista MAD na fase da Panini e editor-chefe do site de contracultura pop Contraversão.

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