Olá, Pachuchus!

Você acorda de manhã em um dia qualquer, se arruma e vai para o trabalho. Ao chegar lá se depara com o de sempre, a rotina. O cara de TI que só tem um amigo no escritório todo, a nova funcionária, a supervisora que impõe prazos absurdos, o colega de trabalho imbecil e machista, o cara que é amigo de todo mundo, etc. Até que uma voz nos auto falantes diz:

“Vocês tem 30 minutos para matar dois colegas de trabalho. Métodos não importam.”

Esse é o começo de The Belko Experiment (O Experimento Belko, 2016), e assim como a voz, o filme não enrola e vai direto ao ponto. 80 funcionários confinados dentro do prédio da empresa. Se ninguém participar em 8 horas todo mundo estará morto. Obedeça ou sofra as consequências.

O formato do jogo de sobrevivência me lembrou um pouco de Ousama Game ou O Jogo do Rei. Uma pessoa dá ordens e os participantes precisam acatar se não quiserem morrer. Geralmente nesse tipo de filme as ordens iniciais são relativamente simples como duas pessoas precisam brigar ou, fulana tem que pisar no pé da pessoa que está a sua direita. Mas em The Belko Experiment é diferente.

Assim que a situação é estabelecida alguns entram em pânico, outros não levam a sério, outros fazem piada. Reações iniciais esperadas de um grupo de pessoas, contudo, o caos começa a se instalar quando os funcionários percebem que a voz não está brincando.

As pessoas responsáveis pelo confinamento criam um ambiente propenso a irritação e como consequência agressividade e selvageria. É uma fórmula simples:

Um lugar trancado e abafado com poucos suprimentos + Um grupo de 80 pessoas confusas e assustadas + uma ameaça bem real de morte = Irracionalidade e pânico.

 

Um dos personagens diz “Quando aceitamos trabalhar aqui nós praticamente demos permissão a eles pra fazerem o que quiserem com a gente” e isso inclui implantar chips nas nucas dos funcionários para que eles não tentem fugir durante o experimento. E se tentar remover o chip é kaboom.

O filme te deixa tenso, você vê vários grupos de pessoas cada um com uma visão e postura diferente sobre a situação e é nítido que algo ruim vai acontecer, é observar a calmaria antes da tempestade e não poder fazer nada a respeito.

Você se questiona durante tudo aos observar as ações dos personagens: O que eu faria se estivesse lá com aquelas pessoas? Tentaria dar um jeito de fugir evitando ao máximo matar gente ou sairia cortando gargantas a torto e a direito? Tentaria dialogar ou partiria pra agressão física logo de cara?

Em situações assim algumas pessoas se sobressaem, líderes naturais. O prédio se divide em grupos, os que querem fugir sem matar e os que querem obedecer as regras. No entanto o segundo grupo não o faz puramente por sadismo, é por sobrevivência e nem todos estão contentes com isso. Agora 30 pessoas precisam morrer ou 60 são eliminadas. Logicamente falando, matar trinta é a menor das perdas, mas nem por isso é fácil de por esse raciocínio em prática.

É frustrante ver o grupo pacifista ser jogado para baixo constantemente, a empresa e os responsáveis pelo experimento são mais fortes, mais espertos, com mais recursos. A sensação de impotência é real, quem nunca passou por uma situação assim? Você se identifica a certo ponto com esses personagens. Eles só querem sair do prédio, do mesmo jeito que várias pessoas só querem manter o emprego, mas precisam lidar com chefes abusivos ou condições de trabalho horríveis porque é a única opção que lhes resta.

O ego tem um papel importante no caos “controlado”, líderes autoproclamados devido as posições que tinham na empresa antes do experimento começar, “Eu sei o que é melhor pra todo mundo e quem discorda está errado”, “Eu decido o que é certo ou errado”, humanos se dizendo Deus. Uma hierarquia surge dentro do prédio baseada em medo, evidente na cena da contagem e seleção de pessoas.

The Belko Experiment não tem mortes elaboradas estilo Premonição e nem tem como ponto principal o gore, o foco do terror são as interações humanas em um ambiente hostil e o que somos capazes de fazer para sobreviver quando em uma situação de perigo. Como o próprio título do filme diz, é um experimento.

Comecei a assistir esse filme sem muitas expectativas. Achei que seria mais um survival game previsível com um desfechos fracos, no entanto me enganei. The Belko Experiment, assim como o título desse post diz, é um Battle Royale corporativo que mostra o quão cruel e por vezes injusta, pode ser a natureza humana.

O Experimento Belko/ The Belko Experiment (2016)

Duração: 1h 29min 

Direção: James Gunn

Elenco: John Gallagher Jr., Tony Goldwyn, Adria Arjona, John C. McGinley

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