Olá, Pachuchus maravilindos!

Hoje é dia de resenha, então sem mais delongas vamos as tripas da criatura porque hoje a refeição é das boas.

Logo que o trailer de The Boy (traduzido tenebrosamente por essas bandas como Boneco do Mal) saiu na internet o burburinho foi instantâneo. Todo mundo já criava expectativas a respeito do filme, que seria apavorante, que precisariam de fralda geriátrica antes de entrar no cinema, etc. Não tive todo esse hype, e eventualmente acabei esquecendo da existência do mesmo.

No entanto, um dia desses, após o lançamento do filme no cinema, não sei porque diabos lembrei que The Boy existe e dei uma chance. Olhem Pachuchus, eu já vi muito filme B, C, D, F, G, etc. Então não posso por em palavras o quão feliz eu fiquei assim que os créditos finais de The Boy começaram a aparecer na tela. Sério. Fazia tempo que eu não ficava tão contente vendo um filme de terror.

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The Boy conta a história de uma jovem chamada Greta que aceita um trabalho como babá para uma família inglesa cheia da grana. Até aí, tudo bem, nada de novo no front. Porém a situação dá uma guinada brusca ao descobrirmos que a criança em si na verdade é um boneco do tamanho de um mini humano na faixa dos 8 anos de idade.

Uma das primeiras coisas que reparei na casa foi a pintura mega perturbadora na parede dos pais com o menino. O estilo de arte do quadro parece muito com os dos quadros das crianças chorando, isso mesmo, aqueles que dizem serem satânicos. Não sei se foi intencional ou não, mas se foi uma referência, parabéns.

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Outra coisa, o boneco parece muito o Damien do remake da Profecia.

Greta resolve permanecer na casa e seguir em frente com o emprego de babá, então a mãe de Brahms (do boneco), a instrui sobre uma série de regras que jamais devem ser quebradas não importa o que aconteça. Claro que Greta estranha tudo. Atitude esperada tendo em vista a situação em que a babá se encontra, a maioria das pessoas teria as mesmas reações se fossem contratadas para cuidar de uma criança e descobrissem que na verdade é um boneco de porcelana e não um ser humano.

Você fica desconfortável assistindo a mãe cuidando do “filho”, não é um desconforto agoniante, é vergonha alheia. Ela realmente se comporta com uma mãe. Fala com o boneco, troca as roupas dele, ensina coisas, disciplina, o coloca na mesa para fazer as refeições(?????). É como se ela cuidasse de um menino de verdade.

Os pais saem da casa em uma viagem e a porra fica séria quando Greta se encontra sozinha com o boneco. Como sempre os acontecimentos sobrenaturais começam de forma gradativa. Um pesadelo aqui, um sumiço ali, uma voz acolá, o de sempre.

Greta resolve prestar mais atenção em passar o tempo dela sozinha ignorando totalmente as regras passadas pela mãe louca e o boneco não fica muito feliz com isso. Mas convenhamos, quem não ficaria furioso ao ser tratado no bico da bota e completamente ignorado?

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O curioso é que, geralmente, nesse tipo de filme de terror com temática boneco do mal, o boneco em si é mais voltado para uma aparência assustadora e grotesca, ex: Anabelle e o próprio Chucky [Nota da edição: Claro que a Bia não estava se referindo a esse] . Mas Brahms não pende para esse lado, ele é focado no desconforto. Após algum tempo de filme, não pude deixar de me sentir incomodada com os closes na cara do boneco, como se por alguma razão muito absurda ele fosse realmente levantar da cadeira e cortar minha garganta. Você se sente uma presa exposta, vulnerável e inofensiva, é horrível. E isso é ótimo.

Uma das coisas que eu gostei a respeito de The Boy é que o boneco do mal não aparece se movimentando. Você o escuta correr pela casa, dar risada, conversar com Greta, mas nunca o vemos se mexendo. O sobrenatural presente em Brahms é invisível para o espectador, nos faz entender perfeitamente o que esta acontecendo sem precisar de cenas do boneco articulando. Bem pensado.

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O subgênero de terror Boneco do Mal têm seus clichês, mas os mesmos não se mostraram muito presentes em The Boy, principalmente após a descoberta da real natureza do boneco em si. Geralmente é um caos instalado, gritaria, pânico, mas a protagonista da vez é uma mulher curiosa, que fica empolgada com o efeito do sobrenatural, ela se afeiçoou por Brahms [revelar o motivo é spoiler, desculpa] e até o defende quando o acusam de ser uma entidade maligna.

“Brahms não é um fantasma malévolo. Ele é um garoto. Brahms é um garoto”

Uma das partes mais assustadoras do filme todo é quando o ex-namorado completamente escroto e abusivo de Greta simplesmente resolve aparecer do nada dizendo que vai levá-la para casa com ele. Eu não só fiquei tensa, como com vontade de quebrar a casa toda na cabeça desse escroto.

Não posso entrar em mais detalhes porque isso significa revelar spoilers e dessa vez eu realmente não quero estragar a experiência de alguns de vocês. No entanto, preciso dizer que The Boy foi uma belíssima baforada de ar fresco em um subgênero de terror que ultimamente só tem criado pó.

Título: The Boy / Boneco do Mal (EUA/2016)

Diretor: William Brent Bell

Duração: 1h37 mins

Elenco: Lauren Cohan, Rupert Evans, James Russell.

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