Olá seus seres perfumados e que não estão morrendo de sinusite!

Chegou pra mim via Facebook uma sugestão de filme feita pela nossa linda leitora, da qual eu não me lembro o nome agora (sorry!)  e resolvi encarar a bucha, sendo ela boa ou não. Pra minha felicidade, o filme faz a linha do post “O selvagem cinema coreano” e eu recomendo que todos deem uma lidinha nele. Agora, é hora de lutar contra a coriza e gripe e dissecar mais uma obra da sétima arte.

The Chaser, ou O Caçador, como foi traduzido nas terras de Dilma, conta a história de Joong-ho, um ex-detetive policial que acabou virando cafetão e sua busca desenfreada atrás de um serial killer. Mas vamos do começo.

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O protagonista do filme só pela descrição já explicita que não é nenhum herói certinho que sua avó teria orgulho de ver. Joong-ho é um cafetão e isso significa que ele tem cojones o suficiente para não levar desaforo de ninguém e sentar a porrada se a situação pedir. E isso ocorre na maioria dos casos.

Os negócios com prostitutas iam bem até que uma série de suas garotas começa a desaparecer sem quitar as dívidas que tinham, muito menos entregar o dinheiro do programa para o chefe. Já ciente da sequência de sumiços, Joong-ho e seu assistente começam a investigar e acabam descobrindo um denominador comum nas solicitações de meninas.

A partir dai, o protagonista, no mínimo puto da vida, pois recebe cobranças diárias pela grana, vai atrás desse cliente em comum para pegar as garotas e o dinheiro que é seu por direito. Só que a coisa não para por ai, como eu havia dito antes, existe um serial killer na jogada.

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Não é spoiler quando eu digo que o denominador comum no desaparecimento das meninas é o tal assassino em série. Isso a gente descobre logo de cara. Só que situações como as das garotas de Joong-ho infelizmente não ficam só na ficção.

Jack, O Estripador matou várias prostituas quando estava na ativa, assim como Ted Bundy, Dahmer e muitos outros que tem como rótulo as palavras serial killer. Mas por que garotas de programa? Simples, porque para a nossa sociedade, elas não existem.

Se nos dias de hoje a objetização de uma mulher que não está envolvida nesse mundo já é grave, imagine agora como é essa visão sobre uma garota que precisa vender o corpo para sobreviver? No mínimo ela é um brinquedo sexual que você usa, paga e joga fora. Ela não vai fazer falta para você porque você não tem nenhuma espécie de vínculo afetivo com ela. Se ela está com cirrose ou não, pouco te importa, enquanto ela ainda conseguir fazer sexo com você, tá tudo bem.

Só que não está tudo bem. Prostitutas também são pessoas, elas têm um motivo para estarem todas as noites nas ruas vendendo o corpo. Seja para comprarem drogas, o que não é raro, ou para sustentarem a família, elas se arriscam pelas madrugadas rezando para que consigam chegar em casa à salvo. Porém nem sempre isso acontece.

Justamente pelo fato de serem anônimas para a sociedade, prostitutas são vítimas fáceis de assassinos, ladrões e até dos próprios cafetões que não pensam duas vezes antes de lhes descer a porrada por não atingirem a cota noturna, ou cota do mês de grana. Em The Chaser acontece a mesma coisa.

Só que estamos falando de Joong-ho e não de um homem qualquer. Após descobrir a origem do denominador comum, o cafetão sai numa busca desenfreada que dura praticamente o filme inteiro. E isso é uma coisa boa. Após alguns minutos desde os créditos iniciais, o ex-detetive policial faz uma descoberta que acarreta no espectador empatia. Você começa a torcer para que Joong-ho consiga alcançar o responsável.

Além dessa descoberta, você fica do lado do protagonista porque ele é o único que pode deter o serial killer. A polícia está envolvida no meio de tudo, e uma coisa que me enfureceu por sua veracidade são os motivos políticos e burocráticos que levaram alguns personagens a tomarem certas decisões. Me lembrou muito Tropa de Elite 2, e me emputeceu também.

The Chaser tem um ritmo frenético. Não é como naquelas perseguições americanas que mais parecem que o tempo para dando vantagem para que os mocinhos possam ter a grande epifania que leve ao desfecho do caso. Não, estamos falando de cinema coreano, e cinema coreano é no mínimo pé na porta e soco na cara. Mas você pede por mais.

Apesar do alto teor de violência, porque a bordoada come solta, o filme tem seus momentos sentimentais. Não posso explicar, mas assim que você assistir vai me entender. O que me admirou foi que mesmo com uma sequência de fatos acontecendo logo atrás da outra sem nem te deixar digerir, as partes mais lentas casam muito bem no meio de todo o suor e sangue.

Pensem em Oldboy, a história de Oh-Dae-su também é alucinada, mas tem seus momentos de afeição e isso não faz com que o filme fique morno. Muito pelo contrário, eles dão uma pausa pra que você respire porque a enxurrada de chutes e marteladas volta com tudo. É agridoce, assim como em The Chaser.

O que eu gostei bastante nesse filme foi que nada é quadradinho perfeito no estilo receita de bolo de finais que agradam. Não, The Chaser é uma história crua e feia. É sujo e mesmo sendo ficção te dá uns bons tapas na cara se você abrir bem os olhos. As sequências de ação são muito bem feitas e simples. Estamos falando de pessoas aqui. Pessoas comuns e corruptas, pessoas que não se encaixam no padrão perfeito da sociedade e que precisam de uma fachada para se enquadrarem.

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Assumo que quase arrancei cabelos assistindo esse filme, na cena do mercadinho em particular, e toda a vez que os personagens principais partiam pro soco eu ficava na ponta da cadeira. Mais uma vez o cinema foge do padrão de películas de perseguição do qual estamos acostumados. A coisa toda não culmina num combate final e decisivo com explosões e muita câmera lenta. Assim como o post que recomendei acima diz, o cinema coreano é selvagem. É amargo, forte, direto, tem sangue, suor, pólvora, nicotina, lágrimas e não permite fracos.

capa

Título: Chugyeogja (The Chaser)

Diretor: Hong-Jin Na

Duração: 125 min

Nota: 10 elevado à potência Juntem Oh-Dae-Su e Joong-Ho e façam um filme com os dois pelo amor de deus.

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