Estava eu esses dias revirando uns dvds antigos e encontrei alguns com os episódios de um dos melhores seriados policiais que já foram produzidos: The Shield. Como ando sem tempo por causa do trabalho e tudo mais e estava sem ideias do que escrever aqui, resolvi apresentar este brilhante seriado para os que ainda não o conhecem. The Shield conta a história de uma unidade policial chamada Strike Team que é extremamente eficiente no combate ao crime, apesar de que eles mesmos são corruptos. O Strike Team seria o mal necessário para conseguir acabar com o mal maior. O problema é quando esse mal necessário começa a se achar intocável.

A série é ambientada no fictício distrito de Farmington, em Los Angeles, e é protagonizada por Michael Chiklis, o mesmo que interpretou o Coisa nos filmes do Quarteto Fantástico. E se você conhece o ator apenas por causa do simpático herói da Marvel, vai se surpreender com o personagem Vic Mackey, interpretado por ele na série. Líder do Strike Team, Vic não mede esforços para dar uma vida boa para sua família e proteger seus companheiros de equipe, nem que para isso seja necessário desviar um dinheiro aqui e ali, ou traficar de vez em quando.

The Shield já mostra seu diferencial logo no episódio piloto, quando um detetive recebe ordens de se infiltrar no Strike Team e expor a corrupção da equipe. Até aí, tudo normal, parece que vai ser mais um daqueles seriados onde o cara trabalha infiltrado, mas depois dá tudo certo. Acontece que The Shield é diferente, é extremamente focada na realidade e todo mundo sabe que na vida real coisas ruins acontecem. No final do episódio piloto, desconfiado do novo membro da equipe, Vic Mackey dá um tiro no rosto do detetive e diz que ele foi baleado pelos traficantes. A cena também é realizada sem exageros, nada de muito sangue jorrando, apenas um pequeno buraco de bala no rosto do cara.

Strike Team pronto pro pé na porta e tapa na cara

O melhor do seriado é que não existem episódios apenas para “fazer número”, todos os episódios são importantes para a história principal, que culmina com um final épico e extremamente real na sétima temporada. O final do primeiro episódio, por exemplo, não serviu apenas para mostrar que Vic era o fodão, o assassinato do detetive infiltrado pode ser considerado o começo do fim para o Strike Team. É a partir daí que a equipe começa a ser observada ainda mais de perto, sem contar que em determinado momento Shane (braço direito de Vic e única testemunha do assassinato) se sente culpado e começa a pôr tudo a perder.

Buscando ainda mais realidade, praticamente todas as cenas são gravadas com câmera na mão, muitas vezes dando a impressão de que estamos assistindo a um documentário sobre a polícia. Muitas músicas do seriado também são apresentadas como música do ambiente onde os personagens estão no momento, tudo para que acreditemos que aqueles personagens realmente existem.

E falando nos personagens, é impressionante como os roteiristas conseguem fazer com que nos importemos com pessoas que a princípio parecem tão desprezíveis. É impossível não torcer para Vic conseguir roubar alguma grana, quando vemos o desespero do cara para dar um tratamento médico melhor para o filho que é autista. Além disso, em seus momentos finais, a série nos faz ter sentimentos ambíguos por praticamente todos os personagens, hora torcendo por eles e hora torcendo contra. O caso mais emblemático é quando Shane*, em um momento de desespero, mata um companheiro de equipe sem o conhecimento dos outros. O final do personagem e de sua família é um dos mais impactantes que eu já vi na tv.

Vic Mackey

 Além dos personagens principais, The Shield também apresenta personagens secundários bastante interessantes, como David Aceveda, que começa como capitão de polícia e depois entra para a política. É Aceveda também quem passa por um dos momentos mais tensos da série. O cara é obrigado a fazer sexo oral em um membro de gangue que o ameaça com uma arma na cabeça e tira uma foto do ato para usar em caso de necessidade. Temos ainda o detetive Holland “Dutch” Wagenbach, que apresenta tendências psicopatas em um determinado episódio, levando o espectador a pensar até mesmo que ele era responsável por alguns crimes. Essa dúvida acabou nunca sendo solucionada e esse arco acabou sendo deixado de lado, infelizmente.

A série se encerra do mesmo modo que começou, mostrando uma realidade crua e que não é feliz para todo mundo. Felizmente, os roteiristas não tentam tirar nenhum coelho da cartola apenas para dar um final feliz para os personagens. O destino de todos eles condiz com o que foi mostrado durante os sete anos de série, sem abrir exceções para algum possível personagem preferido do espectador. Foram sete temporadas que mostraram o Strike Team do auge até a queda.

É impressionante também como, apesar de ter ficado sete anos no ar, The Shield conseguiu manter o ritmo, sempre com roteiros inteligentes e surpreendentes, retratando muito bem a violência das ruas e a corrupção na polícia e na política. Se você é fã de histórias policiais e nunca assistiu The Shield, largue tudo o que estiver fazendo e vá atrás desta série que ousou e surpreendeu até o último episódio.

*Se quiser saber o tal final impactante que eu comentei sobre o Shane, marque o trecho abaixo para ler.

Não aguentando mais a pressão de ter que fugir de seus ex-companheiros e vivendo o tempo todo com medo de que Vic encontre ele e sua família, Shane tem o final mais trágico de todos os personagens, motivo pelo qual achei que valia a pena comentar aqui embaixo. Em um momento de extremo desespero e se sentindo acuado, Shane mata a esposa grávida e o filho pequeno, para logo em seguida se matar com um tiro na cabeça. Com certeza é algo que não se vê todo dia na tv.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

3 COMENTÁRIOS

  1. Acredito que um dos responsáveis por tudo isso que você citou no texto, seja o roteirista e diretor Kurt Sutter, vemos o mesmo cuidade dele com o realismo e de não facilitar pra ninguém em Sons of Anarchy.

  2. Vi essa série toda e n gostei do final achei muito triste e acabei me apegando aos personagens, a morte do Leam e a a do Shane, foi bem impactante mas foi muito boa a série gostei de mais pena que n teve mais!!

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