Talvez você esteja se perguntando “putz, eu já vi o filme uma caralhada de vezes, vale a pena ler a obra?”. A resposta é: sim, vale muito a pena, pois uma porrada de coisas bacanas do romance escrito por Peter Benchley ficaram de fora no corte final do clássico dirigido por Steven Spielberg, incluindo aí o final da história que é muito mais corajosa no livro.

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Tubarão foi escrito no início dos anos 1970 e é o livro de estreia de Peter Benchley, que posteriormente contribui com o roteiro da adaptação cinematográfica. Caso o leitor não tenha estado presente no planeta Terra nos últimos anos, cabe lembrar que trata-se da história de uma cidadezinha litorânea que começa a ser atormentada por uma criatura imensa que, do nada, resolve almoçar banhistas manchando as belas praias de sangue.

Algumas questões morais e sociais que são abordadas bem de leve no filme, acabam sendo aprofundadas no livro e tornam a coisa toda muito mais interessante. Brody, o protagonista, é um policial que resguarda certo senso de justiça, mas que é um cuzão na hora de lidar com as autoridades da cidade, em especial o prefeito.
O conflito que toma boa parte da história é o da especulação imobiliária, afinal, um tubarão branco devorando pessoas não é exatamente um tipo de marketing favorável para uma região que vive do turismo, certo? As coisas se complicam um pouquinho quando a máfia (pois é, tem até máfia na história original) começa a se meter nos negócios e a torcer os pescoços de gatinhos inocentes.

O papel da imprensa também é discutido em diversos momentos, uma vez que as notícias publicadas no jornal da cidade são manipuladas conforme o interesse do comércio local, havendo portando um esquema de desinformação que acaba por potencializar a tragédia.

Fora todo esse rebuliço, Brody também se vê inserido num triângulo amoroso divertidíssimo, com cara de novela mexicana, já que o seu casamento está prestes a desabar, pois a sua mulher, seguindo uma linha meio Madame Bovary, passa a projetar um futuro de aventuras sexuais que a tirem daquela vida banal. Todo esse imbróglio foi eliminado no filme e de fato ele pouco acrescenta à história de terror, mas de certa forma isso é que torna a leitura tão viciante e divertida.

Benchley tem boa mão para dar contornos psicológicos mais profundos a seus personagens, então um mero jantar que poderia ser uma coisa meio enfadonha, acaba se transformando num curioso jogo de aparências que acaba por escancarar a decrepitude de diversos valores morais.

Ao tornar os personagens muito mais interessantes e complexos do que aqueles que vemos no filme, o escritor faz com que o leitor se importe muito mais com aquelas vidas. Eles são pessoas comuns que estão passando por uma fase muito ruim e no fim das contas nem tudo é culpa do bicho que está lá no mar à procura de uma nova vítima.

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Os ataques do tubarão são descritos com riqueza de detalhes, o que pode agradar ao leitor mais sádico:

[quote_box_center]“O último – e único – pensamento do menino foi de que tinha levado um soco no estômago. Sua respiração sumiu subitamente. Não teve tempo de gritar e, ainda que tivesse tido tempo, não saberia o que gritar, pois não pôde ver o peixe. A  cabeça do peixe lançou a boia acima da água. As mandíbulas morderam, engolindo cabeça, braços, ombros, tronco, quadris e grande parte da boia. Quase metade do peixe tinha saído da água, e ele deslizou para frente e para baixo revirando o corpo, mastigando a massa de carne, ossos e borracha. As pernas do menino foram arrancadas na altura dos quadris e afundaram, girando devagar, em espiral, para o fundo”. [/quote_box_center]

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A grande sacada do livro é jogar com o medo do desconhecido, com o pavor que sentimos diante daquilo que parece inexplicável. Muitas histórias de terror se perdem em seu terço final, pois se sentem na obrigação de explicar didaticamente todos os porquês. Tubarão escapa dessa cilada, pois simplesmente não importa saber o motivo que levaram o animal a agir de maneira não natural, o que interessa é enfrentar a ameaça que está lá nas profundezas em algum lugar que não podemos ver.

Vale a pena mergulhar?

[quote_box_center]Obs: A versão Classic Edition deste livro nos foi enviada pela própria Darkside Books, devido a nossa parceria de longa data com a mesma. O que não afeta nosso julgamento sobre a obra.[/quote_box_center]

122214947_1GGTubarão

Autor: Peter Benchley

Editora: DarkSide Books

Especificações: 280 páginas, Capa Dura e Brochura, 14 x 21 cm

Preço sugerido: R$ 59,90 (Capa Dura) e R$ 39,90 (Brochura)


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Compre aqui (Classic Edition): Submarino | Amazon | Saraiva

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