O último ano de nossas vidas finalmente havia chegado. 2012 bateu as portas e como em um piscar de olhos a festa mais aguardada pelo Brasil inteiro havia chegado. Contudo em vez de celebrar, este que seria o último carnaval da minha vida, em um trânsito dos infernos para a região dos lagos, encher a cara, ficar todo queimado do sol sem um ar condicionado e com cada parte do corpo e da casa cheios de areia eu pensei: vou com a minha família para um relax na serra, mais precisamente em Nova Friburgo, uma das cidades mais frias do estado do Rio de Janeiro.

Já havia séculos que eu não ia para lá. Como bom geek/nerd que sou, separei todos os meus gadgets, mangás recém-comprados, três vidros de repelente e o mais importante: tratei de comprar um modem 3G e fazer um plano pré-pago, daqueles que você paga pelo dia que usar. Pronto, eu já tinha tudo o que precisava para a viagem e, embora longe eu poderia continuar me conectando a internet e usando meu celular normalmente.

O dia da viagem chegou, como eu trabalhei no sábado (vida de pobre é tenso) viajamos no domingo depois do almoço. Estrada tranquila (afinal de contas ninguém quer passar o carnaval na serra), chegamos com uma certa rapidez sem grandes paradas a não ser para pagar os pedágios (que por sinal estão o olho da cara). Conforme ficava mais perto fui constatando algo que eu não me recordava do lugar: o hotel ficava no meio da montanha, mais precisamente no meio do nada.

Embora a localização fosse privilegiada, as duas únicas perguntas que não saiam da minha cabeça eram: Será que aqui tem sinal de 3G? Será que meu celular pega aqui? Após descarregar rapidamente as malas liguei meu notebook e espetei o modem 3G. Para o meu desespero ele nem piscou, foi então que olhei para o meu celular e vi a “barrinha” que indica o sinal no máximo, pensei: “pelo menos não ficarei totalmente ilhado”, reles engano. Quando tentei efetuar a primeira ligação meu sangue parecia ter parado de circular em meu corpo, fiquei mais branco do que já sou e percebi que o celular também não funcionava. Me senti como Tom Hanks em O Náufrago, ilhado, sem esperança alguma de sobrevivência.

Passado o pânico e o desespero inicial sentei próximo a uma fonte, nela tinha um sapo, peixes nadando e uma ponte pequena. Fiquei ali pensando, refletindo. Foi quando resolvi que iria me divertir e os únicos gadgets que eu iria usar seriam o meu iPod e a minha máquina fotográfica. Foi um daqueles momentos em que o amigo Gabriel Dread ficaria orgulhoso, resolvi interagir com a natureza e com a minha família.

Como havíamos chegado no início da noite jantamos e fomos fazer algo que há muito tempo não fazíamos: jogar UNO. Foi perfeito, demos boas risadas, falamos besteiras e fomos dormir as quatro da manhã, felizes. No dia seguinte, após o café da manhã, fizemos de tudo: jogamos totó, sinuca, ping-pong, basquete, tênis e a tarde fizemos uma trilha perfeita pelas montanhas. Assim transcorreu todo o meu carnaval, interagindo com a minha família, contemplando a natureza e se divertindo a valer com jogos da época de criança.

Cheguei a conclusão que apesar de toda essa evolução tecnológica, dos prazeres da vida on-line precisamos ter momentos off line, que podem ser tão ou mais prazerosos do que viver em frente a tela de um smartphone, tablet ou notebook. Mesmo tendo uma Cybershot a pilha, consegui tirar boas fotos e pela primeira vez na vida andei a cavalo, realmente foi uma sensação foda.

O único “efeito colateral”, por assim dizer foi a caixa de e-mail lotada, milhares (nem foram tantos assim) de ligações perdidas e uma entrevista de emprego perdida, afinal de contas marcar uma entrevista de emprego na quarta-feira de cinzas é muita falta de sexo, né não?!

Quem quiser ver as fotos da minha poderosa Cybershot é só acessar o meu Flickr.

ARTE DA VITRINE: Thiago Chaves (@chavespapel)

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7 COMENTÁRIOS

  1. “entrevista de emprego na quarta-feira de cinzas é muita falta de sexo, né não?!” Põe falta de sexo nisso…

  2. Nesse feriado da Páscoa vou pra casa dos meus pais (que moram no sítio) ficar um pouco off line. A única coisa que não dispenso é um livro, mas de celular e computador eu consigo me desapegar por uns dias.
    Olhei as fotos do Flicker, muito bonito o lugar que você ficou.

    =)

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