alessio_cpbr6

“Campuseiro filho da puta com uma buzina de gás na minha orelha. Me aproximo calmamente e pergunto se ele pode parar de buzinar na minha orelha.

Ele: ‘Só paro se todo mundo parar’.

Eu: ‘Se todo mundo der a bunda, você dá também’?

Ele: ‘Tá, todo mundo fazendo’…

Eu: ‘Eu vim pedir educadamente. Se quiser bancar o idiota, te trato como idiota. Fica a seu critério continuar com esta merda ou não’

Não ouvi mais a buzina dele durante o resto de noite”.

Eu estava na Campus Party 6 (CPBR6) cobrindo o evento e fazendo vídeos para uma produtora à serviço de umas das empresas que estavam no por lá. O diretor, o produtor e o cinegrafista haviam ido embora e resolvi ficar para colher umas imagens das atividades noturnas da alegada maior reunião geek/gamer do país. Havia quase duas horas em que estava em uma bancada com uns amigos quando o evento acima ocorreu. Um belo começo de noite, não?

A CPBR6 ainda é um evento estranho para mim. Curto a idéia de acampar, conhecer diversas pessoas e ver as palestras, mas não entendo esse tesão que muitos tem pela internet de alta velocidade que rola durante a ocasião. Tudo bem que você pode baixar quinhentos milhões de coisas, mas… Você vão ter tempo de ver/ler/ouvir tudo isso? Sei lá, se algum leitor deste texto for uns destes que fica excitado com a banda larga da CPBR6, por favor me explique nos comentários.

Arena

Enfim, após conseguir um pouco de silêncio ao meu redor, acessei minhas redes sociais, respondi e-mails, escrevi algo e pude enfim partir para minha verdadeira missão: descobrir o que os geeks fazem durante a madrugada no Palácio de Convenções do Anhembi.

Problemas a serem resolvidos: comida e água. O segundo não seria problema. A Sabesp disponibilizou diversos bebedouros gigantes com squeezes gratuitos. Ouvi um ou outro comentário sobre a água estar com gosto, mas achei frescura. Além disso, alguém que estava na mesma bancada que eu ganhou uma Coca-Cola de 2 litros e resolveu dividir com todos. De sede eu não morreria.

Já a comida era um problema. Primeiro porque as lanchonetes locais praticavam preços pra lá de abusivos. Para se ter uma idéia: um café pequeno custava R$ 2,50(!), um pão de queijo saía por R$ 4,50(!!) e uma esfiha de carne era R$ 6,00(!!). Haviam microondas para quem comprasse comida fora (ou trouxesse Cup Noodles), mas eram somente dois para TODO MUNDO e um estava quebrado. Eu quase destruí o outro quando fui esquentar um Cup Noodles, esqueci de tirar a tampa de alumínio e ela pegou fogo [Nota da edição: GÊNIO!!!]. Um gordinho que estava sentado do lado do aparelho deu um pulo e sumiu. Um ninja, praticamente! Ainda, durante a noite, passaram algumas tiazinhas vendendo pizza à R$ 30,00, mas saiu mais em conta comprar uma à R$ 15,00 na “Campus Party do B” (mais detalhes sobre ela em breve).

Após quase destruir o microondas, voltei para o computador e vi uma fila se formando. Obviamente, estavam dando alguma coisa de graça. São tantas filas quilométricas para pegar qualquer brinde tosco oferecido, que fico com a impressão de que os campuseiros liquidam todo seu patrimônio para poder participar da CPBR6. A galera literalmente corre quando sai algo no Twitter ou Facebook avisando que está rolando uma promoção em algum estande. Se vocês já viram um legítimo nerd correndo, devem imaginar o tanto que dei risada.

Gangnam Style na Área Expo

Falando em correria por causa de promoções, algumas pessoas da bancada onde eu estava resolveram fazer algo que chamaram de “Promoção Troll”. Elas criavam perfis fakes muito bem feitos das empresas que tinha estandes por lá e soltavam tweets com distribuições absurdas de brindes. Era engraçado ver a correria e as caras frustradas na volta.

Mas a fila que só crescia perto de mim era de um bando de mortos de fome querendo pegar uma esfiha do Habib´s. Isso mesmo, UMA ESFIHA por pessoa. Resolvi manter o pouco da minha dignidade e continuar onde estava. Para minha grata surpresa, alguns amigos meus estavam na fila e me trouxeram alguns quitutes. Depois surgiu um cara com um saco cheio de pão de queijo caseiro e rachamos uma pizza. Um brinde à minha network!

Devidamente alimentado, saí para caminhar. Pessoas dormindo pelos diversos sofás espalhados naquele espaço. Alguns tiravam seus tênis e deixavam ao lado de onde dormiam. Grupos de pessoas jogando “jogos normais”, como War e Truco. Um casal sentado mexia em um computador como se não existisse nada ao redor deles. Um dos palcos foi tomado por um grupo que realizava um lual  [Nota da edição: Lual não é na praia!?] ao som de Legião Urbana e Capital Inicial. Caixas de pizza e garrafas vazias de Coca-Cola espalhadas por diversas mesas. Caras rebolando jogando Just Dance. E os gritos de “UOOOOOOO” ecoando o tempo todo (sim, o TEMPO TODO). Duas gurias maquiadas de zumbis circulavam entre os campuseiros assustando quem ainda estava acordado. Eis um belo panorama do que vi em meu passeio.

Arena

Ah, sim… A tal “Campus Party do B”. O Palácio de Convenções do Anhembi fica, por incrível que pareça, no meio do nada. Caso seus cigarros acabem, por exemplo, são necessários pelos menos 20 minutos de caminhada até achar uma padaria. Sem contar os já comentados preços abusivos da alimentação lá dentro. E também portar e consumir bebidas alcoólicas. Para driblar tudo isso, uma verdadeira feira livre se forma na escadaria de entrada do evento durante a madrugada, com diversas opções de comida e bebidas a preços mais acessíveis, cigarros e afins. Só não pode voltar visivelmente chapado, senão nem entra novamente. E dizem as regras que você é expulso e proibido de participar de qualquer edição do evento.

Tendo cumprido minha missão, achei um sofá vazio, peguei um pufe, estiquei minhas pernas, agarrei minha mochila e dormi com o celular na mão. Somente poucas horas de sono me separavam de mais um dia de trabalho.

Obs: Relembrem conosco, as outras edições da Campus Party (que foram bem mais animadas, diga-se de passagem!).

[#CPBR4] A Campus B

[#CPBR4] A Noite da Dança

[#CParty] A Noite das Línguas Soltas

[#CParty] Guia Prático Para Encher a Cara de Álcool

 

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É um cara que já trabalhou (e trabalha) em muitas coisas e nas poucas horas que tem dá uma de escritor/poeta/jornalista/roteirista. Quando tem vontade atualiza seu blog, o “O Protagonista 2.0”. Foi colaborador do blog Cultura Nerd e atualmente escreve para os blogs sites Novelas Teen, Contraversão e Revista Entremundos. Pode ser encontrado a noite cambaleando bêbado pelas ruas de São Paulo ou falando seu nome três vezes em frente a espelhos em botecos suspeitos da Augusta e da Mooca. Uma mistura de Spider Jerusalem e John Constantine, ou não.

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