Uncharted é uma daquelas franquias que poderia nem ter passado do primeiro game. Afinal, como um jogo de exploração e aventura, ele chegou para ocupar o espaço que um dia foi de Tomb Raider e a musa Lara Croft. As comparações seriam inevitáveis. Sinceramente, eu não acho o primeiro jogo da série lá essas coisas, apesar dos gráficos realmente impressionarem.

Ainda faltava alguma coisa para ser perfeito, mais trocas de cenários, um controle mais apurado do personagem e, principalmente um sistema melhor de combate corpo a corpo. Em compensação, os personagens principais (Nathan, Sully e Elena) eram extremamente carismáticos e o vilão fazia você realmente sentir raiva dele. Me lembrou os bons tempos de Indiana Jones na Sessão da Tarde.

Então, veio o segundo jogo, que trouxe todas essas melhorias, com gráficos ainda mais refinados, e a série me conquistou de vez. A única dúvida que eu fiquei foi: será que a Naughty Dog vai conseguir superar (ou pelo menos igualar) um jogo que já é excelente? A resposta, felizmente é sim, Uncharted 3: Drake’s Deception é um dos melhores games de ação e aventura já produzidos.

Muitos reclamam que jogos como Uncharted são muito lineares e que você não pode tomar decisões que mudem o rumo da história. Porém, é aí mesmo que está a grande força da série, principalmente neste terceiro game. Assim como acontece em God of War, Uncharted 3 é repleto de ângulos de câmera cinematográficos, algo que seria impossível em um jogo não linear. As melhores cenas de ação acontecem enquanto você está jogando e não em cutscenes.

Muitas idéias parecem saídas diretamente do jogo do Fantasma de Esparta, como, por exemplo, a cena em que Nathan está escalando um navio abandonado e a câmera abre apenas para revelar o quão grande é o caminho a ser percorrido. Além disso, alguns combates acontecem em cenários em movimento, dificultando na hora de acertar os tiros. Um desses combates acontece dentro do compartimento de cargas de um avião que está prestes a cair devido ao tiroteio, proporcionando uma das melhores cenas de todo o jogo. Isso sem contar que em cenas como essa do avião, as coisas vão acontecendo independente do jogador avançar do ponto A ao ponto B. Ou seja, o avião não vai cair apenas quando você derrotar todos os inimigos, ele simplesmente está caindo enquanto você luta por sua vida.

Porém, o principal foco de Uncharted 3 é, sem dúvida, o combate corporal. Logo no início, temos Nate e Sully em uma negociação que dá errado e logo começa uma pancadaria dentro do pub. As lutas estão muito mais naturais e bem coreografadas, como num grande filme, e é possível utilizar o cenário para derrotar os oponentes. Quando o jogador estiver próximo a uma parede ou balcão, ele pode tentar agarrar o inimigo para acertar a cabeça dele nesses locais, ou ainda quebrar uma garrafa na cara do indivíduo. Caso o adversário esteja carregando uma granada, Nathan simplesmente puxa o pino dela e a deixa pendurada no cinto do cara.

Outra ampliação, em comparação com o segundo jogo, é no quesito furtividade, praticamente todas as áreas do game podem ser atravessadas sem chamar (muita) atenção dos vilões. Em compensação, está muito mais difícil acabar com os inimigos sem ser visto, além de achar o momento certo de atacar, o jogador tem que se preocupar em não deixar que outra pessoa veja o corpo caído. Caso não consiga passar despercebido, é bom se preparar para enfrentar uma horda de inimigos, que estão muito mais mortais e inteligentes que nos jogos anteriores. Além de atacar à distância com metralhadoras, é comum inimigos usando armadura e escopeta, que  cercam o jogador caso ele permaneça muito tempo no mesmo local. Fora que grande parte dessas coberturas são quebráveis, obrigando o jogador a procurar sempre um esconderijo diferente.

Graficamente o jogo não apresenta muita diferença em comparação com o anterior, mas os cenários estão ainda mais sensacionais, sempre com ângulos de câmera que ressaltam a beleza dos cenários. A Naughty Dog conseguiu transformar até mesmo um simples deserto em algo magnífico, com dunas tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes umas das outras. A movimentação de Drake na areia também está bem natural, mostrando toda a dificuldade que é andar neste tipo de terreno. Infelizmente, alguns cenários apresentam um bug no qual aparece uma linha preta bem rapidamente na tela, tirando o jogador daquela imersão.

Quanto à história, não há muitas novidades: pra variar, Nathan está em busca de uma cidade perdida (mais uma), a tal Atlântida das Areias, que teria sido descoberta pelo explorador Francis Drake, que escondeu pistas sobre sua existência. A partir daí, seguem-se todas aquelas situações típicas da série, com muita correria, fuga de lugares desmoronando, templos antigos e vilões sempre um passo à frente dos mocinhos. É, com certeza, um dos melhores jogos de PlayStation 3, mas a fórmula da série já está desgastada. O ideal é que a Naughty Dog pare com Uncharted enquanto ainda está no auge e invista em novas franquias, como o vindouro The Last of Us.

Uncharted 3: Drake’s Deception

Produtora: Naughty Dog

Plataforma: PlayStation 3

Nota: 9,5

 

PS: Não joguei o game em português brasileiro, se alguém tiver jogado, comente aí o que achou da dublagem.

 

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

3 COMENTÁRIOS

  1. Felipe,

    Gostei muito de Uncharted 3 também, um dos jogos mais perfeitos do PS3, mas longe de ser meu preferido… Não sei pq não consigo ‘amar de paixão’ esse jogo.
    Como as pessoas reclamam da linearidade de um jogo? Pq existem jogos lineares e não-lineares, né… Uncharted funciona muito bem assim (quer um jogo não-linear, vai jogar Heavy Rain!).
    Como você disse, A Naughty Dog conseguiu se superar, tanto no gameplay quanto na história. Achei a idéia de mostrar a infância do Nate e como ele conheceu o Sully muito boa.
    Eu joguei em PT-BR e achei boa a dublagem, quando as pessoas falam que ela é ruim é porque comparam ela com o áudio original (óbvio), e vamos combinar que a dublagem, por melhor que seja (o que não é esse caso), nunca vai ser tão boa quanto o original. Eu joguei só em PT-BR e entendi tudo direitinho, melhor do que se tivesse sido em inglês. Mas tenho que dizer que é estranho não ouvir o Nathan chamando a Elena de Miúda… rs
    Também tive a impressão de Uncharted 3 ‘copiar’ algumas coisas de GoW. Não tem como, sempre que tiver aquela câmera distante com o personagem bem pequenininho vou lembrar do Kratos… =)
    E por falar no que se pode fazer com um simples deserto, recomendo o jogo Journey. Deserto mais perfeito que aquele não tem!

    • Eu não joguei em português porque assisti o trailer e achei meio sem emoção as falas. Infelizmente, essas dublagens são feitas em estúdios em Miami, se fossem feitas aqui no Brasil a qualidade com certeza seria muito acima da média. Mas como você disse que gostou da dublagem, vou ver se jogo de novo dessa vez em português.

      • Se eles tivessem feito com dubladores ou atores daqui do Brasil seria outro nível, né. Mas como você já jogou em inglês, acredito que não vai gostar muito da dublagem, não. Como eu disse, quando se compara uma com a outra fica pior. rs
        Eu quase nunca ‘zero’ um jogo duas vezes, acho que a única exceção foi RE5, por causa dos capítulos extras que lançaram depois… Mas boa sorte!

        =)

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