Foto: Marcelo Shiniti https://www.facebook.com/marceloshina
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Relato feito pela Vanessa Hellen, contando tudo que viu no 4º Grande ato em São Paulo  acontecido ontem, dia 13/06/2013 (quinta-feira).

Vou contar o que eu vi e vivi na manifestação!

Saímos de casa era quase umas 18 horas e, como queríamos chegar lá rápido, fomos de táxi. Isso mesmo, de táxi. E foi a melhor escolha EVER, com todo mundo fugindo do centro não tinha quase nenhum trânsito. Mas é claro que o motorista não poderia nos deixar sem uma lição de moral: ele avisou pra mim e pra Arelli que “só receberíamos anistia daqui a vinte anos, como os caras que disseram que foram presos, que disseram que foram torturados na ditadura“. E, aí, já tivemos uma pequena prova de como muita gente vê a manifestação.

Chegando lá, encontramos com o Thiago Chaves e seguimos com a passeata. Tava tudo lindo. Eu morrendo de orgulho de todo mundo ali. Todos entoando gritos de protestos, chamando o pessoal pra rua, todo mundo pacificamente. Passamos por vários carros, vários lixos, vários tudo e todo mundo não tocava em nada. Respeitando tudo. Exatamente como uma manifestação deve ser. Mais para frente, acabamos encontrando nosso amigo Mario Henrique.

Até que, ops! Olha só, esqueceram um ônibus, vazio, parado no meio do caminho da passeata! Uma ou outra pessoa começou a pichar o ônibus, mas como o Chaves mesmo disse, isso tava com muita cara de armação, como: “Vamos deixar o ônibus aqui, certeza que eles vão fazer alguma coisa, aí tiramos fotos e divulgamos para todo mundo ver como eles são vândalos.” Nice champs! (y) Vai aí!

protesto_ônibus_deixado

Mas tirando isso, nada além de todo mundo se divertindo e conversando e cantando. E foi quando estávamos subindo a Ipiranga para pegar à Consolação que as coisas começaram a esquentar. De repente todo mundo parou e soubemos que o choque tinha fechado a passagem. Estávamos muito longe, nem dava pra ver. E todo mundo ficou parado ali, gritando “SEM VIOLÊNCIA” e outras coisas normais. E foi a primeira vez que a polícia começou a jogar bomba de gás lacrimogênio na gente, junto com bombas de efeito moral. E, deixa eu te falar, as bombas de efeito moral realmente surtem efeito. É um estouro enorme que junto com o impacto realmente assusta e afasta a todos.

Já com os olhos lacrimejando e a garganta cortando do gás, mesmo com nossos panos com vinagre para amenizar, voltamos para a Praça Roosevelt e depois seguimos pela Augusta.

Foto: Marcelo Shiniti https://www.facebook.com/marceloshina
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O alívio era ver os carros; se tinha carro a gente sabia que eles, os policiais, não fariam nada. Então continuamos pelo meio dos carros. Cantando novamente e chamando todo mundo, nessa hora começamos a perceber como a população estava do nosso lado, todo mundo saindo nas janelas e nas sacadas pra apoiar a gente. E todo mundo andando pacificamente, sem tocar em um carro sequer! Tudo bem que tinha uma moça chorando dentro de um carro, como se ela estivesse num apocalipse zumbi, mas umas meninas do protesto foram lá e acalmaram ela. Fora isso, nenhum incidente.

E assim, fomos seguindo, até que o CHOQUE decidiu que não podíamos mais subir a Augusta e novas bombas foram lançadas. Então fomos para a Bela Cintra e aí começou o encurralamento. Fomos tratados como gado. Só íamos até onde a tropa de choque deixava e o limite deles era imposto com bombas de gás lacrimogênio e bombas de efeito moral. Tanto para frente quanto para trás.

Não podíamos avançar e não podíamos voltar, porque eles estavam fechando os caminhos atrás da manifestação. A partir daí, pensamos “É agora que vai dar merda“. O pessoal começou a querer ir embora, mas a gente não tinha pra onde ir, a não ser pra onde a polícia queria que fossemos, então seguimos. E, pasmem, tudo PACIFICAMENTE.

Foto: Marcelo Shiniti https://www.facebook.com/marceloshina
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Até chegarmos de volta à Consolação. A cavalaria estava lá, bem na esquina que precisávamos passar. Todo mundo meio com medo do que poderia acontecer, começamos a levantar as mãos para passar, a gente só queria passar. Aí alguns policiais começaram a sinalizar para onde deveríamos ir e todo mundo começou a aplaudir, porque é exatamente isso que esperamos de uma força de proteção. E começamos a subir a Consolação.

Veja bem, estávamos sendo encurralados e, ainda assim, entendemos que eles só estavam fazendo o trabalho deles. E estávamos seguindo o caminho indicado, mesmo que muitas vezes não de uma forma muito civilizada, mas ok.

E foi aí que TUDO começou, a gente viu UM grupo tentando colocar fogo num lixo do nada,  e todo mundo começou a criticar, dizer para não fazer e eles deixaram.

E, não vou mentir, tinha gente lá só para botar pra fuder, mas era uma meia-dúzia, a esmagadora maioria só queria terminar o protesto pacificamente.

Mas não seria possível. A PM sabia o que estava fazendo e tinha encurralado a todos perto da esquina com a Maceió. Foi quando alguém começou a gritar pra todo mundo sentar, que iríamos ficar ali. Que, se estivéssemos todos sentados, eles não poderiam e não fariam nada. Ledo engano, meu caro pacífico manifestante.

4ª Grande ato em São Paulo
4ª Grande ato em São Paulo

Foi depois de alguns segundos que começamos a gritar “SEM VIOLÊNCIA” com todos sentados, que era um grito mais pra acalmar nosso pessoal do que qualquer outra coisa, que veio a primeira granada. Sabe quando você ouve o assobio vindo na sua direção e todo mundo correndo, mesmo sem ter pra onde correr? Então, foi assim. Começaram a jogar VÁRIAS granadas de gás lacrimogênio no meio da galera! No meio!!!!

As granadas estouravam na gente, muitas vezes um monte de faíscas e estilhaçados nos atingiram, isso só gerou mais pânico em todo mundo.

Com todo mundo tentando sair correndo, gente passando mal por causa do gás, sabe o que os manifestantes mais se preocupavam? Se todo mundo tinha vinagre pra aliviar os efeitos do gás. Eles se preocupavam com os outros.

E depois foi só a gente tentando sair dali e com a PM tentando encurralar todo mundo cada vez mais. Nessa hora, nos perdemos da Arelli e do Mário. E a gente só tava procurando um lugar para fugir de tudo e tentar ir pra casa. Pra gente, a manifestação tinha terminado. Dali pra frente ia ser só cada vez mais violência e abuso de poder da PM.

Foto: Marcelo Shiniti https://www.facebook.com/marceloshina
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 Só que a gente não tava conseguindo chegar em nenhuma estação de metrô porque a PM estava fechando todas as saídas. Foi aí que pegamos um táxi e fomos para a Clínicas. Passamos, inclusive, na frente das barricadas do CHOQUE, e ainda bem que estávamos dentro do carro, caso contrário, certeza que não chegaríamos bem lá.

Teve mais um incidente na Clínicas, mas esse eu deixo pro Chaves contar no relato dele.

Depois, encontramos o pessoal na Consolação e voltamos todos felizes, ilesos e realizados pra casa.

Areli, Vanessa, Chaves e Mario.
Areli, Vanessa, Chaves e Mario.

Aí, só para finalizar, quando me perguntam porque eu fui se os R$0,20 não me afetam, eu respondo duas coisas:

1. A manifestação não é só pelos R$0,20.

2. O dia que estiver saindo de casa para lutar somente por causa própria, eu não saio.

UPDATE! A Vanessa estava gravando instantes antes do ataque dos policiais e achou que tinha desligado a câmera do celular, mas não. Ai está o vídeo. Por volta dos 2 minutos, as bombas foram lançadas em nós e perdemos as imagens, mas ficou o áudio.

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