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Incredible Hulk #180
Incredible Hulk #180

O ano é 1974. Nas últimas páginas de Incredible Hulk #180 o Hulk está enfrentando o Wendigo, um dos seus mais antigos inimigos. Eis que do nada surge um personagem, o nome dele é Wolverine.

Um salto para o ano seguinte. O personagem volta a aparecer em Giant-Size X-Men #1 como um dos novos recrutas de Charles Xavier para o time dos mutantes mais famosos dos quadrinhos. Nas mãos do roteirista Chris Claremont (e com uma grande contribuição do co-roteirista John Byrne) ele cresceu na preferência do grande público.

Wolverine (ou Logan, como descobrimos depois) era um personagem diferente pra época e também pros certinhos X-Men: fumava, bebia, dava em cima da mulher do chefe da equipe sem dó e era um cara violento e turrão. Mas, acima de tudo, um ser humano.

Em 1982 finalmente veio o primeiro gibi solo. Claremont (sempre ele) escreve uma mini em 4 partes de título homônimo, transformando enfim Logan em um grande personagem. Nessa minissérie o roteirista aborda um pouco mais sua ligação com o Japão, seu caráter, e principalmente sua honra. Nessa mini ficou estabelecido que Logan na verdade é um SAMURAI FALHO, um RONIN.

wolverine 1982 limited
Wolverine (1982 Limited Series)

Com o sucesso do Wolverine a DC Comics ainda criou uma paródia dele, o Lobo (que também conseguiu grande popularidade com seu jeitão machão e louco).

No ano de 1984 o personagem ganha uma nova mini ao lado da sua eterna parceira Kitty Pryde explorando a amizade entre ambos (que deu origem a uma série de parceiras femininas pro Wolverine), além de estreitar ainda mais os laços do personagem com o Japão.

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Wolverine (1988 1st Series) #1

Nessa época Wolverine já era O cara da franquia mutante; sua aparição em uma capa de gibi garantia altas vendas, além de sua legião de fãs aumentarem cada vez ainda mais. E finalmente no ano de 1988 veio à coroação: o título solo e mensal (com os roteiros de quem? Adivinha!).

Finalmente tendo um gibi só seu, o personagem pôde ganhar uma voz mais ativa dentro da Marvel Comics. Na época, Logan comandava o submundo da fictícia Madripoor, uma das cidades mais violentas e corruptas do universo da editora. No início da série o personagem sequer usava seu tradicional uniforme, dando mais foco nas aventuras cheias de ação, violência e com um pequeno elenco coadjuvante.

Na mesma época os X-Men também passavam por uma fase sofrida com a equipe dada como morta, vivendo escondida na Austrália e com o moral meio perturbado (atingindo o máximo do grim and gritty) preferindo bater primeiro e depois perguntar. Logan era um dos líderes do grupo.

Com a crescente popularidade do personagem a Marvel resolveu revelar como o personagem ganhou suas famosas garras e o Adamantium que cobre o seu esqueleto na mini Weapon X (Arma X) do artista Barry Windsor Smith (que saiu recentemente em edições de luxo pela Panini Comics e pela Salvat). O fascínio pelo personagem só cresceu e foi impulsionado pelo desenho dos anos 90.

X-Men: The Animated Series que estreou em 1992 fez a X-Mania chegar a níveis estratosféricos; os X-Men eram cools, descolados, eram pop. E quem era o personagem preferido do público?

Que era um legítimo LETRA A. Um cara que sabe reparar sozinho torres de alta tensão, um cara que fumava charuto, toma uísque e matava um ninja, tudo ao mesmo tempo.

Ainda nos anos 90 ele perdeu o Adamantium do corpo e descobrimos que ele tinha garras de ossos. E também perdeu o fator de cura. E ficou sem nariz.

Mas mesmo assim ele era cabra macho.

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Capas: Origin – Wolverine

Novembro de 2001 marca o início da queda do personagem. A Marvel Comics embalada pelo filme dos X-Men que saiu no ano anterior resolve contar a origem do personagem na mini simplesmente chamada de “Origin”. Nela descobrimos que James Howlett é um menino frágil de saúde, assustado e superprotegido pela mãe. Um contraponto interessante pro personagem. Mas a história em si é fraca, só vale pela arte e a incrível colorização do Richard Isanove.

X-MEN_131_o_cismaDurante a década o personagem tem histórias bem mais ou menos, com algumas exceções, como Inimigo do Estado e Velho Logan de Mark Millar. A situação muda um pouco com o roteirista Jason Aaron, mas o próprio roteirista escancara a ferida e faz O Cisma dos X-Men (X-Men 1ª Série #131 e #132 da Panini Comics).

O Cisma se baseia no fato de Ciclope e Wolverine brigarem pelo fato do primeiro querer colocar adolescentes para lutar. Logan discorda. Ele começa a ver o mundo diferente depois que descobre que tem um filho que o odeia por aí. Depois que ele mata alguns outros filhos sem querer.

Acontece que Wolverine durante muitos anos teve adolescentes como parceiros. Agora ele  é contra isso. Lugar de criança é na escola. O velho sonho de Xavier tem que se manter original. Ciclope discorda, ele sabe que o mundo mudou. Os mutantes são mais odiados do que nunca e precisam se proteger com todos que têm ao seu redor.

O velho Wolverine agora realmente virou um velho. Um homem preso ao passado com medo de evoluir. Um homem preso a velhas tradições e que muitas vezes se contradiz e acaba ficando como hipócrita. Um personagem que sai matando quem ameaça os mutantes, que mata o seu filho Daken, mas concorda em fazer uma lavagem cerebral em uma criança (leiam A Fabulosa X-Force de Rick Remender, começa em X-Men Extra #119, vale a pena).

Wolverine se tornou um personagem ultrapassado preso ao passado com suas glórias e ideais que atualmente não funcionam. Wolverine enquanto conceito é ultrapassado. O menino que virou homem, mas um homem saudosista.

Assim como o tiozão LETRA C. Que é o que resta atualmente pra ele.

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O personagem irá morrer esse ano. Ele está merecendo um descanso. Claro que ele vai voltar, afinal são gibis. E que volte como LETRA A.


* Agradecimentos especiais a Henrique Bracarense na produção desse texto.

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