Quem me acompanha desde o NSN sabe que o meu encontro com as HQ’s advém de um passado bem recente. Apesar de ter passado toda a minha infância e parte da minha idade adulta sem ter lido nenhuma HQ, o mundo dos quadrinhos sempre me rondou através dos desenhos e dos filmes. Sei que existe toda aquela briga Marvel vs DC, mas nunca liguei para essa “rixa”, pois o que importa para mim é gostar do personagem em si. Wolverine, sempre foi um desses personagens que angariou a minha predileção logo de cara.

Embora não seja profundo conhecedor de sua história, sempre vi Wolverine como aquele cara que destoa da sociedade, o cara que está pouco se fudendo para o mundo e não mede esforços para meter a porrada em quem quer que seja. Quando me deparei com a primeira página desta HQ, pensei: “Velho, esse sim é o Wolverine que eu conheço”. Logo de cara você se depara com Logan desmemoriado, nu, preso em uma jaula como um animal usando uma coleira em seu pescoço o impedindo de usar suas garras, que ao mesmo tempo descarregava uma carga elétrica por toda a extensão de seu corpo.

Levado a uma arena ele descobre que foi dominado por sádicos que organizavam lutas entre mutantes e derivados. O grande problema é que estes loucos não contavam que essa coleira poderia se partir durante a luta e o animal que até então estava sendo controlado se liberta com toda a sua voracidade. Wolverine, inicia seu show. As páginas seguintes se apresentam com sangue, aberrações cortadas ao meio, cabeças sendo arrancadas, pessoas fugindo desesperadas e o nosso herói ali, como o próprio título diz: sendo “o melhor no que faz”. Esse início não está ali só para avisar ao leitor sobre o que está por vir, mas para dizer que se você não tem estômago é melhor parar por aqui.

Winsor, uma figura aficionada por indivíduos imortais, possui um interesse muito “especial” pela capacidade regenerativa de Logan. Ele se considera “O vilão”, e através de um aperto de mãos infecta Wolverine com um composto alucinógeno que serviria como isca, atraindo-o para uma armadilha. Coagido mais uma vez a se tornar cobaia de laboratório, Logan começa a ser “estudado” por toda a sorte de loucos.

Os métodos de “estudo” se resumem a tiros com uma ponto 40 nos olhos à queima roupa, torturas por uma sádica de três mil anos chamada Yi Yang, absorção de força vital mais de onze vezes por um maluco mascarado chamado Carniça dentre outros.

As páginas são chocantes, sangrentas, estas que se destacam pela arte de Juan José Ryp que não se preocupou em esconder a realidade. Cada quadro é desenhado com requintes de crueldade. Atrelado ao roteiro sarcástico de Charlie Huston, que menciona inclusive filmes como Bastados Inglórios, Sete Homens e um destino e até mesmo Simon Cowell, jurado do programa American Idol, faz com que você a todo o momento fique imaginando o estrago que Wolverine irá fazer quando se livrar dessa.

Wolverine: O melhor no que faz, nada mais é do que a essência do nosso herói: sangrento, muitas vezes irracional, violento, mas ao mesmo tempo sarcástico como ele sempre deve ser. Não tem como não gostar. Contudo se você resolver apreciar tudo isso recomendo que esteja de estômago vazio.

Nome: Wolverine: O Melhor no que faz (Wolverine: The Best There Is)

Autor: Charlie Huston

Arte: Juan José Ryp

Páginas: 156

Nota: 8,5

Comente pelo Facebook

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta