Falta um mês para o Foo Fighters se apresentar novamente no Brasil, dessa vez como atração principal do Lollapalooza, e muitos que conhecem a banda hoje em dia provavelmente nem imaginam por tudo que os caras tiveram que passar pra chegar onde estão hoje. Geralmente, a nossa visão dos músicos – principalmente astros do rock – é de que a vida deles é só farra, afinal, os caras fazem o que gostam e ganham rios de dinheiro pra isso. Muitas vezes tratados como deuses pelos fãs mais ardorosos, o documentário Back and Forth trata de desmistificar e humanizar um pouco mais os membros (e ex-membros) desta grande banda de rock que é o Foo Fighters.

A intenção de mostrar a história da banda por um ponto de vista mais pessoal do que profissional fica clara logo no começo, quando são mostradas diversas imagens antigas dos membros do FF. São fotos e vídeos de quando eles ainda eram adolescentes e nem imaginavam que chegariam onde estão hoje. Logo após esses créditos iniciais, o documentário começa pra valer, com Dave Grohl, Pat Smear e Butch Vig (produtor do Nevermind e do Wasting Light) falando sobre a época do Nirvana. E é impressionante ver como Grohl ainda se emociona ao falar de Kurt Cobain, mesmo 18 após a morte do astro.

Este início pode irritar os fãs mais xiitas do Foo Fighters e que odeiam Kurt Cobain, mas é importante para mostrar toda a dificuldade que Dave Grohl teve para desvencilhar a imagem do Foo Fighters de sua antiga banda. Em todas as entrevistas que ele dava, a maioria das perguntas giravam em torno do Nirvana e em comparações com sua nova banda. Em certo ponto, Grohl conta até que algumas pessoas diziam que ele não deveria ter formado outra banda.

Pessoalmente, eu sou fã de Nirvana, mas não há dúvidas de que o fim da banda foi a melhor coisa que aconteceu para Dave Grohl, que finalmente pôde mostrar não apenas o excelente baterista que ele é, mas também um grande músico. Para se ter uma ideia, o primeiro disco do Foo Fighters teve todos os seus instrumentos gravados apenas por Grohl, que saiu atrás de membros para a banda depois que a fita demo já estava pronta. O detalhe é que todas as músicas que aparecem no disco foram escritas por Dave ainda na época de Nirvana e só vieram à tona com o fim da banda.

O documentário segue mostrando que, apesar de Dave Grohl já ser famoso no meio musical, o Foo Fighters teve que começar lá de baixo, abrindo shows para artistas mais famosos. E quando Dave Grohl começa a falar dos shows, percebemos que, mais do que um excelente músico, ele é também um grande artista, que pensa nos espetáculo a ser apresentado quando está compondo. Ele explica, por exemplo, que o público da Inglaterra, ao contrário do público dos EUA, começa os shows sempre pulando e que, devido a isso, ele criou os riffs da música Enough Space baseado nos pulos da galera. Uma música criada especialmente para abrir shows na Inglaterra.

Quando começam os depoimentos sobre as gravações do segundo álbum da banda (The Colour and the Shape), vemos que todo o perfeccionismo de Grohl – principalmente quando o assunto é bateria – acaba causando a primeira grande crise do Foo Fighters. Insatisfeito com as gravações do baterista William Goldsmith, Dave resolve regravar o álbum todo sem avisar o cara. Felizmente, o documentário não traz apenas a visão da banda sobre o ocorrido, trazendo também declarações do próprio William que ainda se mostra magoado com toda a situação.

Mais do que contar a trajetória do Foo Fighters, o documentário resgata também o espírito do verdadeiro rock’n’roll, aquele feito no porão ou na garagem de casa. A própria banda é unânime em dizer que seus melhores discos foram aqueles gravados em estúdios próprios. Nas palavras de Dave Grohl: A diferença entre as duas versões de All My Life é que a primeira custou um milhão de dólares e é uma porcaria, enquanto a segunda foi gravada no porão da minha casa e é maravilhosa”. Nate Mendel é ainda mais sucinto e resume numa frase: rock tem a ver com imperfeição”.

A parte final do documentário é dedicada a mostrar como foram as gravações de Wasting Light, que eu considero um dos melhores – se não o melhor – disco do Foo Fighters, tendo ganhado cinco prêmios no Grammy 2012, incluindo Melhor Álbum de Rock e Melhor Longa Metragem de Música, com o próprio Back and Forth.

Embora alguns dos outros discos tenham sido gravados em um estúdio na casa de Dave Grohl e toda a banda dissesse “foi como gravar na nossa garagem”, o disco mais recente da banda foi literalmente gravado dentro de uma garagem. Uma das cenas do filme mostra Dave e os outros esvaziando a garagem da casa dele para poder instalar os equipamentos. Mais do que isso, seguindo até as últimas consequências o lema da imperfeição no rock, a banda resolveu gravar todo o disco em fitas ao invés de gravações digitais. O que significa que pequenos erros não poderiam ser corrigidos. E o resultado final todos já sabem que foi sensacional.

Back and Forth reforça esse lado “rústico” e familiar de se gravar um disco com cenas dos integrantes da banda e suas famílias participando de churrascos, ou da filha de Dave Grohl interrompendo a gravação do pai para chamá-lo pra ir na piscina. Tudo para ressaltar o clima de “somos apenas alguns amigos tocando umas músicas juntos”. Para os fãs do Nirvana o documentário ainda apresenta um bônus: a presença de Krist Novoselic, que gravou o baixo em uma das músicas do disco.

Em tempos em que todas as bandas novas que surgem na grande mídia parecem iguais e sempre utilizando de alta tecnologia para parecerem perfeitas até mesmo no palco, é excelente ver o Foo Fighters produzindo um álbum à moda antiga. Mais do que isso, essa viagem através da história da banda mostra que os caras não ficaram presos sempre à mesma fórmula, indo desde músicas lentas até músicas extremamente pesadas utilizando três guitarras, passando por um disco totalmente acústico. O que só prova que o Foo Fighters é uma das melhores bandas de rock da atualidade.

Back and Forth (EUA, 2011)

Direção: James Moll

Duração: 147 min.

Nota: 10

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

4 COMENTÁRIOS

  1. Baixando…

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    []’s
    @Compulsivo

  2. Baixando ²

    Eu tinha um preconceito com Foo Fighter inexplicável, só gostava das músicas mais antigas, mas alguns dias atrás resolvi escutar o que há de mais novo e me surpreendi.

    • Preconceito eu não tinha, apenas nunca tinha parada pra ouvir os CDs da banda… conhecia alguns hits e só… mas depois de ouvir o Wasting Light tudo mudou. Peguei tudo pra ouvir e sou fascinado pela banda!

      A história deles e a evolução da qualidade é sensacional.

  3. Pra mim, sinceramente, é um dos documentários sobre rock mais interessante que já vi.

    Ver como o Dave sofreu no início do Foo por querer sair da fossa e seguir em frente… ver como a mídia é uma filha da mãe e mesmo assim o cara tem um humor impagável e continua a até chegar ao topo do mainstream do Rock, com o sensacional Wasting Light!

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