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Sempre que é anunciado um novo projeto que envolve alguma obra já consagrada, fica aquela sensação de que lá vem apenas mais um caça-níquel barato. Foi exatamente isso que pensei quando anunciaram o seriado Bates Motel, que mostra a adolescência do psicopata Norman Bates, personagem do clássico Psicose, do diretor Alfred Hitchcock. Surpreendentemente, o seriado é muito bom e consegue prender a atenção do espectador.

A série começa com o jovem Norman encontrando seu pai morto no porão de casa, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. Mas conforme os episódios vão passando sempre fica aquele clima de desconfiança de que Norman ou sua mãe tiveram algo a ver com a morte. Enfim, seis meses depois os dois se mudam para a cidade de White Pine Bay, onde a mãe de Norman, Norma Bates, compra um motel de beira de estrada com o objetivo de começarem uma nova vida.

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O começo do episódio piloto dava a entender que a série ia ser meio bobalhona, com Norman sendo o novato da cidade assediado pelas garotas, mas sofrendo com o jeito possessivo da sua mãe. Porém, não demora para as coisas darem muito errado e a mãe dele ser estuprada pelo antigo dono do motel, que perdeu a propriedade por causa de dívidas. Ela acaba matando o cara e, junto com seu filho, resolvem se livrar do corpo e esconder tudo da polícia. Quando dão pela falta do sujeito ela começa a ser a principal suspeita e tem início um jogo de gato e rato.

Mais importante que isso, é como a série mostra pequenos detalhes que apontam para a loucura do jovem Norman Bates. Ao encontrar um caderno com desenhos de torture porn, por exemplo, ele não demora para ficar obsessivo com o material e se mostrar excitado com aquilo. Além disso, ele mostra aspectos de um serial killer ao guardar, como uma espécie de troféu, o cinto de ferramentas do cara que estuprou a sua mãe. Em determinado momento, ao se sentir muito pressionado, Norman chega até a ter uma conversa imaginária com a mãe, na qual ela “manda” ele fazer coisas.

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A série ganha pontos também por não tentar amenizar alguns aspectos, como a relação quase incestuosa entre Norma e Norman Bates. Quando os dois discutem chegam a parecer até mesmo marido e mulher e não mãe e filho. Sem contar que Norma chega a trocar de roupa na frente do garoto numa clara tentativa de extrair alguma reação dele. O jovem, por sua vez, não consegue deixar de espiar pela janela do quarto quando a mãe está se trocando. Pra bagunçar ainda mais o relacionamento, chega o meio-irmão mais velho de Norman que não se dá bem com a mãe e enxerga o modo estranho como ela trata o filho mais novo.

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Como é um seriado de tv, Bates Motel não poderia ficar centrado apenas na história de Norman Bates, então a cidade de White Pine Bay guarda seus próprios mistérios. Ao que tudo indica, muitos negócios locais são apenas fachada para alguma negociata maior. Rola até um esquema de escravidão sexual que parece envolver até mesmo a polícia local.

Uma das coisas mais interessantes é a produção da série, que mistura um visual retrô com visual moderno. As roupas e o carro utilizados por Norman e Norma remetem aos anos 60/70, enquanto os outros personagens tem uma roupagem mais atual. No começo do episódio piloto eu até achei que Bates Motel iria se passar nos anos 60 e acabei me surpreendendo quando Norman tirou um smartphone de dentro do bolso.

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A construção do personagem Norman Bates feita pelo ator Freddie Highmore (aquele gurizinho do remake d’A Fantástica Fábrica de Chocolate) é excelente. Ele consegue transmitir toda a insegurança do personagem com pequenos gestos. Em algumas cenas é possível perceber mudanças de atitude do personagem apenas com um olhar. Também é interessante o modo como ele interpreta Norman de maneira diferente quando ele está na presença da mãe ou não. Quando está com ela, geralmente o personagem gagueja e tem dificuldade em tomar decisões, já longe dela o garoto é muito mais confiante.

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Bates Motel acabou se mostrando uma grata surpresa já que eu não esperava nada da série. Ela consegue criar bons momentos de tensão (como o cadáver na banheira) que são melhores que muito filme de suspense por aí. Vale a pena dar uma conferida.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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