Depois de passar o inferno e comer o pão que o diabo amassou pra escapar vivo no primeiro Dead Space, Isaac Clarke acabou internado numa instituição psiquiátrica sem conseguir se lembrar dos eventos na nave USG Ishimura. Após três longos anos de interrogatórios e visões de sua falecida esposa, a infecção que matou todos os tripulantes da nave chegou até a estação espacial conhecida como The Sprawl. Quando Clarke está prestes a ser libertado, seu salvador é possuído por um alienígena e se transforma em um Necromorph, fazendo com que o protagonista tenha que lutar pela sua vida amarrado em uma camisa de força.

Este é apenas o começo de Dead Space 2, um dos melhores games de survival horror dos últimos tempos, que conseguiu equilibrar de modo perfeito muita ação com os sustos característicos deste tipo de game. O início já é frenético, com o jogador precisando passar por vários corredores repletos de monstros e sem poder se defender, já que está com os braços amarrados. Aqui, a única coisa possível é torcer para não pegar um caminho errado e acabar encurralado pelas criaturas que não param de surgir. Felizmente, não demora muito para que Isaac Clarke receba ajuda e se livre das amarras, ganhando ainda uma lanterna.

A cena em que Isaac é libertado, com seu ajudante cortando a própria garganta com um pedaço de metal, já deixa bem claro o clima perturbador que vai tomar conta de todo o jogo. Se já era angustiante andar pelos corredores apertados da Ishimura no primeiro Dead Space, imagine vasculhar toda uma estação espacial onde viviam várias pessoas e agora se encontra apenas morte e destruição. Com um cenário maior, são vários ambientes diferentes a serem visitados pelo jogador, como igrejas, hospitais, dormitórios e escolas. A maioria dos ambientes estão destruídos e repletos de sangue, mostrando que algo muito violento aconteceu ali. E prepare-se para pedir ajuda quando for obrigado a revisitar a USG Ishimura, que conseguiu ficar ainda mais assustadora nessa continuação.

Embora os sustos (principal característica do primeiro jogo) ainda estejam presentes, grande parte da graça de Dead Space 2 está no terror psicológico, que é especialidade de outra série: Silent Hill. São várias telas com ambientes macabros, que deixam o jogador em constante estado de atenção, para que no final não apareça nem um monstro sequer para atacar. E não apenas os cenários são perturbadores, como também todo o trabalho de som do game faz com que o jogador fique sempre atento. Além dos tradicionais barulhos de metal caindo, temos gritos que parecem surgir de lugar nenhum, sussurros em lugares que não tem ninguém e crianças chorando constantemente.

Para ajudar ainda mais no clima de paranoia, Isaac Clarke é atormentado por visões de coisas e pessoas que não estão ali, mas que nem por isso deixam de assustar o jogador. Aqui temos luzes piscando, monitores ligando e desligando sozinhos e monstros ilusórios, que surgem apenas para nos fazer desperdiçar munição. Além disso, chama a atenção também as cenas com alguns dos poucos sobreviventes, que acabam tendo alguma morte violenta assim que chegamos perto. Em uma delas, uma mulher está chamando uma criança que engatinha em sua direção e, ao chegar perto dela, simplesmente explode, cobrindo toda a janela com o sangue das duas.

Os controles neste segundo jogo estão ainda melhores do que no primeiro, mantendo a principal característica de não parar nem para entrar no menu ou ler algum arquivo. Os ataques corporais de Clarke agora realmente servem para alguma coisa, podendo salvar a vida do jogador em um momento de desespero caso a munição acabe. Outra mudança muito bem vinda são os controles em gravidade zero. No primeiro Dead Space não era possível se movimentar livremente, sendo necessário sempre escolher um ponto do cenário para Isaac se fixar. Já em Dead Space 2, o protagonista possui jatos em seu traje que o permitem flutuar com total liberdade em ambientes sem gravidade. Utilizar os corpos dos inimigos derrotados para atacar outros monstros também está bem mais útil, muitas vezes é até mais vantagem utilizar um desses pedaços e empalar a criatura na parede.

Infelizmente, este segundo game não possui os combates contra os gigantescos chefes que o primeiro possuía. No lugar disso, temos momentos com muito mais ação, com hordas e mais hordas de inimigos loucos para estraçalhar o pobre Isaac Clarke. E falando em inimigos, Dead Space 2 apresenta algumas novidades além dos Necromorphs já vistos no jogo anterior. A primeira novidade é uma espécie de velociraptor alienígena, extremamente rápido, que não para de pular a ataca em bando. Já a segunda é um bando de crianças do inferno extremamente chatas que ficam correndo e pulando no pescoço de Clarke. A melhor maneira de enfrentá-las é com ataques físicos. Além desses dois tipos, é bom estar preparado para correr muito quando aparecer o Necromorph que se regenera infinitamente.

Com Resident Evil cada vez mais abandonando o terror e se tornando um jogo de ação frenético, Dead Space 2 vem para mostrar que é possível achar um equilíbrio entre ação e survival horror. Com sua ambientação espacial e jogabilidade excelente, a série Dead Space tem tudo para se tornar o novo sinônimo de terror. Afinal, como estampava o cartaz do filme Alien: “No espaço ninguém pode ouvir você gritar”.

Dead Space 2

Produtoras: Electronic Arts e Visceral Games

Plataformas: PlayStation 3, Xbox 360 e PC

Nota: 10

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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