Apesar de ter ido ao Lollapalooza com o objetivo principal de ver o show do Foo Fighters, no primeiro dia do festival meus amigos e eu chegamos relativamente cedo, às 14 horas. Com isso, demos a sorte de ainda poder conferir metade do show do Marcelo Nova. Aliás, uma das grandes vantagens deste festival em relação ao Rock in Rio, por exemplo, é que, por não ser organizado por um brasileiro, os artistas nacionais não são aqueles mesmos de sempre, como Capital Inicial e companhia. Juntando os quatro palcos, eram vários artistas nacionais que são desconhecidos pelo grande público.

Infelizmente, não pude curtir direito o show do Marcelo Nova, afinal, eu queria algum souvenir do Lollapalooza, mais especificamente uma camisa do Foo Fighters. Então, lá fomos nós correndo para a loja oficial do festival comprar umas tranqueiras. Depois de ficar admirado com organização para entrar no local do festival, a bagunça na loja foi um balde de água fria. Aqui, as coisas estavam como em qualquer outro grande evento no Brasil: uma verdadeira batalha, com as pessoas se amontoando para conseguir o que queriam.

Para comprar alguma coisa, primeiro era necessário abrir espaço entre a multidão até chegar ao vendedor que iria separar os produtos, pois o pagamento era efetuado em outra fila (esta, menos bagunçada). Com o comprovante de pagamento em mãos, era preciso voltar para a bagunça anterior, atravessar o mar de gente e pegar seus pedidos, torcendo para que ele realmente tivesse sido separado. Felizmente, fui esperto e consegui ser atendido pela garota mais organizada do local, que separou tudo certinho. O outro cara estava vendendo camisas que nem tinham mais em estoque. Enfim, a vitória, depois de quase uma hora saí de lá com as três camisas do Foo Fighters.

Terminada a árdua missão de comprar as camisas, ainda faltavam mais de cinco horas para começar o show de Dave Grohl e seus comparsas. Então, lá fomos nós acompanhar as outras atrações. Contrariando as previsões do tempo, estava fazendo um calor senegalês em São Paulo, deu até pena do vocalista do Cage The Elephant, que estava claramente sofrendo com aquele sol todo. Porém, isso não o impediu de fazer uma apresentação muito maneira, pulando e correndo pelo palco o tempo inteiro. O ápice foi quando o maluco se atirou na galera e começou a nadar no meio daquele povo todo. Em certo momento ele chegou até a cair no chão e achei que fosse sumir de vez, mas logo o público tratou de erguê-lo novamente.

Assim que acabou o show do Cage, corremos para o palco principal, onde mais uma banda nacional já ia começar a tocar. Felizmente, não era Dinho Ouro Preto e o Capital Inicial que estavam no palco, mas sim O Rappa, que fez um dos melhores shows deste primeiro dia de festival. Apesar de terem todo um papo de consciência social e tal, o vocalista Falcão não fica falando disso a cada música tocada. As letras das músicas já dão o recado e o cara se concentra em animar a galera. Para o delírio do público presente (que cantou todas as músicas junto com Falcão), O Rappa ainda fez um cover de Rage Against The Machine, com a música Killing in the name.

Faltava agora no palco principal apenas o show do TV On The Radio para que finalmente o Foo Fighters assumisse o comando. Sinceramente, teria sido bem melhor que O Rappa tocasse antes do FF, já que TV On The Radio não empolgou o público em nenhum momento. O comentário mais escutado neste momento era “tá bom, já podem sair do palco e chamar o Foo Fighters pra tocar”. Eles finalmente terminaram a apresentação e aí faltava apenas mais uma hora para o grande show. Eu poderia ter ido para o palco Butantã assistir Joan Jett and The Blackhearts, mas aí acabaria ficando em um lugar pior ainda para assistir a principal atração do dia.

Após uma espera que pareceu uma eternidade, pontualmente às 20:30 (outro ponto positivo do Lollapalooza, todos os shows começando no horário), o Foo Fighters subiu ao palco tocando All My Life para delírio da galera. Logo na sequência, sem tempo de respirar, os caras emendaram Times Like These, também do disco One By One. Após mais duas músicas (Rope e The Pretender), veio o primeiro grande momento do show, quando o Foo Fighters tocou My Hero, que foi cantada a plenos pulmões por quem estava presente ali.

Ao fim de da música, Dave Grohl deu a primeira parada para interagir com o público, perguntando se tocar durante uma hora estaria de bom tamanho, até finalmente resolver que iria tocar até ser expulso do palco pela organização do evento. Depois de quatro músicas, que incluíram os sucessos Learn to Fly e Breakout, mais uma pausa, dessa vez para que Grohl apresentasse os membros da banda. E foi aí que pude testemunhar duas coisas que achei que nunca fosse poder ver ao vivo. A primeira foi quando Dave pediu que Pat Smear fizesse um solo de guitarra e, ao invés disso, ele a quebrou, como nos tempos de Nirvana. Mas emocionante mesmo foi quando o baterista Taylor Hawkins pediu que Dave Grohl assumisse as baquetas. A princípio achei que ele fosse apenas fazer um solo (o que já seria emocionante para um fã de Nirvana), mas para minha surpresa eles tocaram Cold Day in the Sun inteira com Dave na bateria e Taylor no vocal.

O show continuou com o Foo Fighters intercalando músicas mais recentes com sucessos bem antigos da banda, que eu achei até que nem seriam tocados. Entre essas músicas estavam Big Me, Stacked Actors, Generator e Monkey Wrench, além de um cover de Pink Floyd. A “última” música (entre aspas porque todo mundo sabia que ainda teria o bis) foi uma apresentação épica de Best of You, com Dave pedindo que todos cantassem com toda a força junto com ele. A plateia atendeu ao pedido e deu um show à parte, principalmente na parte do “ooooohhhhh”, quando a banda até parou de tocar e ficou admirando o público. Em certo momento, quando todos gritavam o nome da banda, Dave Grohl até lembrou ao público que ainda não havia terminado de cantar essa música.

Depois de Best of You, a banda deixa o palco e segue aquele momento em que todo mundo fica gritando o nome da banda esperando ela voltar para o bis. O problema dessa espera é que o sangue começa a esfriar e as dores nas pernas e nas costas vieram com força total (coisa de velho). Aqui mais uma vez ficou claro que Foo Fighters é uma banda do caralho e que pensa em todos os detalhes de uma apresentação. Enquanto todos esperavam os caras simplesmente voltarem para o palco e tocarem mais algumas músicas, Dave Grohl surge no telão tomando uma cerveja dentro do camarim.

A multidão lá toda esprimida, morrendo de sede e o filha da puta aparece tomando uma cerveja bem tranquilão e fazendo gestos de que estava com a garganta ruim e que não dava mais pra cantar, além de perguntar se o público realmente queria que eles voltassem para o palco. Óbvio que a resposta era sim e, depois de mais algumas piadas feitas entre Dave e Taylor Hawkins sobre quantas músicas deveriam tocar, o Foo Fighters voltou ao palco com a promessa de tocar mais cinco músicas. Que acabaram se tornando seis, sendo que duas foram tocadas com a presença de Joan Jett. Não vi o show dela, mas pelo menos pude vê-la no palco com o FF.

Infelizmente, a cada música tocada todos sabíamos que o show estava chegando ao fim, mas ele não poderia ter acabado de forma melhor. O Foo Fighters encerrou sua participação no Lollapalooza Brasil com a apresentação de Everlong, minha música preferida da banda. Neste momento, o jeito era ignorar todas as dores musculares, tirar energia sabe-se lá de onde e pular e cantar com vontade a última música desta grande banda, que fez o melhor show do festival.

Ainda restava mais um dia de Lollapalooza, mas a verdade é que fui até lá apenas para ver o Foo Fighters e o que viesse depois deles era lucro. Agora, resta aos fãs torcer para que Dave Grohl cumpra a promessa que fez antes do encerramento do show e não demore tanto para voltar ao Brasil. Eu sei que essas bandas sempre prometem esse tipo de coisa, mas não custa nada manter as esperanças.

Setlist do Foo Fighters:

1-All My Life

2-Times Like These

3-Rope

4-The Pretender

5-My Hero

6-Learn to Fly

7-White Limo

8-Arlandria

9-Breakout

10-Cold Day in the Sun

11-Long Road to Ruin

12-Big Me

13-Stacked Actors

14-Walk

15-Generator

16-Monkey Wrench

17-Hey, Johnny Park!

18-This is a Call

19-In the Flesh? (Pink Floyd cover)

20-Best of You

Encore:

21-Enough Space

22-For All the Cows

23-Dear Rosemary

24-Bad Reputation (Joan Jett and the Blackhearts cover) (with Joan Jett)

25-I Love Rock ‘n’ Roll (The Arrows cover) (with Joan Jett)

26-Everlong

*Todas as fotos do Foo Fighters são do Facebook oficial da banda.

 

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

3 COMENTÁRIOS

  1. Excelente review!

    Eu conferi só os show do palco principal por medo de não ter um bom lugar pro Foo… me arrependo de não ter ido ver o Cage e a Joan? Talvez… mas foi por uma excelente causa!

    Os shows do palco principal foram ótimo, e realmente… o TV on The Radio tocar antes do Foo, foi um tiro no pé… por mais que os caras sejam bons, o povo já tava impaciente e acabou não entrando na vibe do show.

    Eu não tenho do que reclamar da Loja, fui pra loja umas 11 e pouca e tava tranquilo… somente reclamo dos postos de venda de agua e afins que estavam caoticos, mas isso era previsivel rs.

    Mas apesar de tudo, a apresentação do Foo foi inesquecível, histórica, épica… e eu sou grato ao lollapalooza por isso!

    Que tenha mais edições e aprendam com os pequenos erros para chegar ao nível do Rock in Rio – que mesmo com seus problemas, é o festival em grande escala mais bem planejado e organizado no Brasil.

    PS.: O que tem de tão ruim com o Capital? Os caras são foda!

    • Nesse horário que você foi provavelmente tinha pouca gente e por isso a loja tava tranquila. Na hora que eu cheguei estava bem tenso, no dia seguinte tava um pouco melhor porque colocaram umas divisórias pra organizar as filas, mas ainda estava cheio de gente.

      Quanto ao Capital, eu nem tenho nada contra, na verdade citei a banda apenas para exemplificar todas essas bandas brasileiras que acham que DEVEM ser convidadas para qualquer evento feito por aqui. Aí acaba sendo sempre os mesmos artistas.

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