O anúncio de O Exterminador do Futuro: Gênesis prometia revitalizar a franquia, que ficou bem desgastada depois do terceiro filme. Infelizmente, o que antes foi uma grande série de ação (na verdade, só os dois primeiros foram realmente bons, mas…) acabou se tornando apenas mais um filme genérico, com pancadaria e explosões pra todos os lados, mas sem alma. Grande parte da diversão contida nos dois primeiros filmes era justamente a sensação de que os protagonistas eram fracos demais para o que estavam enfrentando, que poderiam morrer a qualquer momento. Já em Gênesis temos a certeza de que podem sobreviver a qualquer coisa.

O filme começa com John Connor (Jason Clarke) no futuro comandando uma investida contra uma base da Skynet na qual está o aparelho de viagem no tempo. Obviamente, o exército humano não consegue impedir que as máquinas enviem um Exterminador ao passado e John envia seu fiel soldado (e pai) Kyle Reese (Jai Courtney) de volta a 1984 para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke). Quando ele chega lá, alguma coisa alterou o fluxo temporal e Sarah não é mais aquela garçonete covarde do primeiro filme, mas sim uma guerreira com seu próprio T-800 de estimação. E é aqui que os problemas do filme começam pra valer.

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Primeiro, numa tentativa de homenagear toda a série, temos num mesmo período temporal um T-800 e um T-1000, um com a função de matar Sarah Connor e outro com a função de matar Kyle Reese. Ora, já que eles foram enviados para a mesma época, por que não enviar apenas o modelo mais avançado, ou enviar dois deles? Mas como queriam mostrar um Arnold Schwarzenegger jovem está lá o T-800. Pior do que isso é que, como isso é apenas o começo do filme, os dois exterminadores são derrotados com extrema facilidade. Como isso é possível se eles deram tanto trabalho nos filmes anteriores? O nível de poder das máquinas foi reduzido a quase zero. Isso claro, as que estão do lado inimigo, pois o T-800 do bem continua aguentando bastante porrada.

O segundo grande defeito do filme é a escolha de Emilia Clarke para o papel que já foi de Linda Hamilton. Ela usa roupas parecidas, faz um rabo de cavalo parecido no cabelo, mas as semelhanças param por aí. Parece até que a atriz está apenas fazendo um cosplay de Sarah Connor em vez de se transformar na própria. Quando Linda Hamilton aparece na tela em O Exterminador do Futuro 2, ela está totalmente diferente do primeiro filme, musculosa, o rosto endurecido pelos anos de treinamento, conseguimos perceber que ela realmente se preparou para enfrentar as máquinas. A Sarah Connor de Gênesis foi criada para isso desde os 10 anos de idade e mesmo assim continuou com uma aparência de menininha popular da escola, como assim? Quando ela surge em cena dizendo a clássica frase “come with me if you want to live“, ela simplesmente não convence, Kyle Reese só aceitou a ajuda dela porque estava no roteiro que ele tinha que fazer isso.

Emilia Clarke plays Sarah Connor in TERMINATOR GENISYS from Paramount Pictures and Skydance Productions.
Emilia Clarke plays Sarah Connor in TERMINATOR GENISYS from Paramount Pictures and Skydance Productions.

O filme ainda consegue divertir com algumas cenas de ação, o problema é que muitas delas possuem efeitos especiais piores do que o segundo filme da franquia, que foi lançado em 1991, vinte e quatro anos atrás. Na cena de perseguição entre dois helicópteros é impossível acreditar que os dois veículos estejam fazendo as manobras que aparecem na tela. Sem contar que algumas cenas parecem ter sido colocadas no filme por engano na hora da montagem final. Em uma delas vemos o T-800 entrando numa briga com o novo modelo de Exterminador (sempre tem um novo). Porém, a briga completa não é mostrada e, de repente, o novo modelo está na frente de Sarah e Kyle. Ele poderia ter simplesmente vencido a luta e por isso estava ali, mas aí aparece o T-800 para proteger os dois humanos como se nem tivesse entrado em briga alguma. Minha opinião é que o diretor simplesmente esqueceu de cortar a cena com o início da luta da montagem final. O filme ainda possui várias cenas de humor besta que não combinam com o resto da série, como a cena em que os três protagonistas são fichados na polícia.

Como se não bastasse tudo isso, Exterminador do Futuro: Gênesis entrega ainda um dos piores finais da franquia.

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[E se não quiser spoilers, pare de ler por aqui.]

A coisa toda começa a feder quando é revelado que John Connor é o vilão do filme. Não é apenas um Exterminador que emula a aparência de John, mas um amálgama entre ele e uma máquina. Na luta final dele com o T-800, quando os dois estão prestes a ser destruídos, milagrosamente o robô interpretado pelo Schwarzenegger se salva, cai no metal líquido e, voilá, ele se transforma em um T-1000, ficando muito mais poderoso para futuros filmes. Pra completar a coisa toda, a cena final mostra o agora T-1000, Sarah Connor e Kyle Reese dirigindo numa estrada cercada de colinas verdejantes e com o sol brilhando no céu, numa típica viagem de família feliz, rumo a novas aventuras.

Terminator Genisys (EUA, 2015)

Direção: Alan Taylor

Duração: 126 minutos

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, Byung-hun Lee, J.K. Simmons.


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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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