Jason, Kimberly, Zack, Trini e Billy. Se você cresceu na década de 1990, provavelmente vibrava com as aventuras desses cinco jovens que foram escolhidos para proteger a Terra (principalmente a Alameda dos Anjos) dos monstros enviados por Rita Repulsa. Os Power Rangers nada mais eram do que a versão ocidental dos Zyuranger, um dos muitos esquadrões super sentai que a TV japonesa já produziu. Criada por Haim Saban, a versão americana fez tanto sucesso que rendeu (e acho que ainda rende) diversas continuações. No auge da série, chegou a ser produzido até mesmo um filme para os cinemas que servia como ponte entre uma temporada e outra, algo que só as grandes séries conseguem. Ao longo de todos esses anos, a equipe teve diversas formações e poderes diferentes, além de atuar até fora da Terra. Então, eis que em 2017, Haim Saban resolveu produzir um novo filme da equipe, apostando em uma espécie de reboot que traz de volta a equipe original. Mas calma, se você era fã da série original, não espere ver as mesmas coisas que via em 1993. Power Rangers – O Filme é uma reimaginação dos personagens para o século XXI.

O público que assistiu essa primeira versão dos Power Rangers cresceu, então nada mais justo que a história cresça e amadureça também. Dessa forma, não espere piadas bobinhas e situações de humor físico, embora ainda tenha bastante humor. Até mesmo personagens como os já clássicos Bulk e Skull não aparecem aqui. O filme dirigido por Dean Israelite, a partir do roteiro de John Gatins, é muito mais sério. Pelo menos até onde adolescentes enfrentando monstros gigantes consegue ser sério. A estrutura de todos os episódios da série consistia nos personagens enfrentando algum tipo de problema pessoal enquanto tinham que combater as ameaças de Rita. No final eles enfrentavam um monstro gigante e salvavam o dia. O novo filme segue esta exata fórmula, o que pode acabar desagradando algumas pessoas, já que boa parte do roteiro se concentra no desenvolvimento dos personagens. É uma história mais séria para um público de fãs que já não são mais crianças. Apesar de bem diferente da série original, o espírito dela ainda está lá e o filme consegue ser nostálgico e novo ao mesmo tempo.

A cena de abertura, que mostra Zordon (Bryan Cranston) como o ranger vermelho sendo derrotado pela ranger verde Rita Repulsa (Elizabeth Banks), é bem curta, mas cumpre bem o papel de apresentar, em poucos minutos, a origem dos heróis. Além disso, ela ainda explica o motivo de Zordon ter virado apenas um rosto flutuante e o porque de Rita ter conseguido criar um ranger verde maligno na série original. A cena deixa claro também o motivo dos zords (os robôs gigantes dos personagens) terem formas de dinossauro, apesar disso ser explicado mais pra frente em um diálogo expositivo do robô Alpha 5 (Bill Hader). A decisão do diretor de abrir o filme com uma cena repleta de ação não é à toa, já que assim ele consegue capturar de imediato a atenção do espectador, permitindo que o filme possa ter momentos de calmaria com a promessa de que teremos mais cenas como aquela da abertura. Aliás, a própria cena que apresenta o personagem Jason (Dacre Montgomery) também não dá muito respiro, mostrando o rapaz em uma perseguição automobilística que acaba com o carro capotando e ele tendo que passar o resto do ano na detenção do colégio. É aqui que ele conhece Billy (RJ Cyler) e Kimberly (Naomi Scott), começando assim a formação da famosa equipe de heróis.

A partir daí passamos a ver a reunião de todos os cinco jovens e os desafios que cada um precisa enfrentar no dia a dia, antes de finalmente conseguirem acessar suas famosas armaduras. Todos eles possuem questões com as quais qualquer adolescente pode facilmente se identificar. Jason, por exemplo, apesar de ser um popular jogador de futebol americano da escola, possui problemas de relacionamento com o pai, o que faz com que ele se meta em encrencas constantemente. Billy não é apenas um nerd como na série original, mas sim alguém que possui dificuldades de socialização e que, pela primeira vez, se vê com um grupo de amigos. Já os outros três são os que possuem as questões mais interessantes do longa. Kimberly se sente muito culpada por algo terrível que fez, enquanto Zack (Ludi Lin) passa os dias cuidando da mãe que está muito doente. Já Trini (Becky G) não consegue dialogar com os pais conservadores que não conseguem aceitar a filha como ela é. Assim como os jovens, Zordon também é mostrado como alguém que precisa enfrentar seus próprios medos para que, finalmente, consiga superar o passado e realmente servir como um mentor para a nova geração de Rangers. A personagem menos trabalhada é a vilã Rita, que deseja o de sempre: poder suficiente para destruir a Terra e moldar o universo à sua maneira.

Mesmo possuindo como tema principal o aprendizado, Power Rangers – O Filme não esquece que é um filme de ação e apresenta excelentes cenas do tipo. Desde o combate que abre o filme, passando pelas sessões de treinamento da equipe e saltos gigantescos, até chegar ao momento em que eles finalmente utilizam suas clássicas armaduras e zords. Aliás, é divertido perceber como vários movimentos dos personagens durante essas lutas fazem referência à série original, porém sem nunca parecer tão tosco quanto ela. Inclusive, o diretor Dean Israelite acerta em cheio ao colocar apenas pequenas referências ao seriado, sem exageros, fazendo com que seu filme tenha personalidade própria e não fique parecendo apenas uma grande homenagem a um programa de sucesso. Claro que ele não esquece sua origem super sentai, então temos muitos prédios destruídos, crateras imensas engolindo carros e por aí vai. Tudo como manda o manual da equipe super sentai. Enxergando em seu filme uma história de super-heróis como qualquer outra existente hoje em dia nos cinemas, Israelite aproveita ainda para fazer referência a outras franquias de sucesso, como Transformers e Homem-Aranha. A cena de Jason sem camisa, se olhando no espelho logo após descobrir seus poderes, é praticamente uma cópia do Homem-Aranha interpretado por Tobey Maguire no filme do Sam Raimi.

Power Rangers – O Filme apresenta ainda um design de produção muito bom, fazendo com que tudo relacionado aos rangers pareça realmente alienígena. A base do Zordon, por exemplo, possui um visual bem clean, sem botões ou alavancas, sendo tudo controlado pelo robô Alpha 5. E por falar no robô, foi bom perceber que ele continua tão carismático quanto na série da década de 1990, soltando até mesmo o famoso bordão “ai ai ai”. Até o visual dele, que parecia tão esquisito nas fotos de divulgação, é bastante simpático quando o vemos em movimento na tela, principalmente por combinar com o todo o resto da base. Mais do que reencontrar velhos amigos, a sensação que fica ao final do filme é a de que passamos a conhecê-los melhor e que, apesar de ainda serem adolescentes, de certa forma eles também cresceram e amadureceram, assim como sua base de fãs.

Power Rangers – O Filme (EUA/2017)

Direção: Dean Israelite

Duração: 2h 4m

Elenco:  Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Becky G., Ludi Lin, David Denman, Bill Hader, Bryan Cranston, Elizabeth Banks.

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