Sistemas anti ou pró-pirataria?

Sistemas anti ou pró-pirataria?

Lembro quando o game Spore foi lançado pela EA com o maldito sistema DRM, que só permitia que o jogo fosse autenticado no máximo três vezes. A cada vez que a pessoa precisasse formatar o computador, uma autenticação seria gasta. Se o computador fosse formatado mais de três vezes, o comprador que gastou dinheiro com um produto original teria que entrar em contato com a EA, explicar a situação e torcer para ganhar um novo código de ativação. Nos piores casos, você terminava com um belo peso de papel de R$ 100,00. Ou seja, um sistema onde o verdadeiro prejudicado é quem compra o jogo original.

Na época, isso gerou uma revolta na comunidade gamer, fazendo com que surgissem até campanhas para que se baixasse o jogo pirata. E agora, infelizmente, parece que essa praga chegou com força total nos consoles, utilizando principalmente de passes online, que permitem que apenas um usuário possa utilizar o conteúdo multiplayer do game. A RockSteady foi mais longe e lançou uma boa parte de Batman Arkham City (as partes jogáveis da Mulher-Gato) como DLC. E nem adianta dizer que jogar com ela é apenas um bônus, pois quem jogou sabe muito bem que os trechos com a ladra fazem falta na história principal.

Não é possível que as produtoras não percebam que esses sistemas incentivam ainda mais a pirataria, afinal, quem é que vai querer pagar por algo que não é totalmente seu, uma vez que você não tem nem o direito de emprestar alguns jogos. Mas, ao que tudo indica, as grande empresas de games não conseguem enxergar o óbvio, já que a cada dia que passa elas inventam sistemas ainda mais complexos e absurdos na esperança de lucrar ainda mais.

O mais recente boato é de que, “cansada” de combater apenas a pirataria, a Microsoft agora vai lutar contra a indústria dos jogos usados. De acordo com uma notícia que saiu no site Kotaku, é possível que o próximo Xbox venha com uma trava contra jogos usados. Se esse boato se confirmar, você vai pagar por um jogo que não será totalmente seu. E nem estou falando do direito de revender o game, mas simplesmente de poder emprestá-lo ou trocá-lo com algum amigo.

Uma coisa é você bloquear o console para jogos pelos quais o usuário não pagou, mas a partir do momento que eu compro um jogo ele é meu. Se estamos pagando por um produto, devemos ter o direito de fazer o que quiser com ele. Imagina você reunindo uma galera pra jogar videogame e cada um tendo que levar o seu próprio console porque os jogos não vão rodar em qualquer um.

Para não ficar apenas na minha opinião de merda, eu conversei com o programador de jogos Valério Dallapicula, que já trabalhou no desenvolvimento de games para celular e redes sociais. “Sinceramente, eu não sei se as grandes produtoras vão ganhar mais dinheiro com esse tipo de atitude. Pra mim, como desenvolvedor, o importante é que as pessoas joguem os meus jogos, seja emprestado ou comprando usado. O importante é ter um retorno da qualidade do meu trabalho, que mais pessoas conheçam a minha marca”.

Outro ponto interessante levantado por Valério é que a diminuição dos jogos usados não significa, necessariamente, o aumento nas vendas de jogos novos. “Antes de comprar um game, eu pego emprestado com alguém para testar e ver se vale à pena. Além disso, só compro jogo novo se for realmente muito bom, caso contrário prefiro comprar usado e pagar mais barato. Acabar com essas opções não significa que eu vá comprar qualquer game novo que sair, significa apenas que vou escolher melhor o que comprar”, explicou Valério.

Claro que tudo isso ainda está no campo da boataria. A Microsoft não confirmou o lançamento do novo Xbox, muito menos que esse sistema anti-usados será realmente implementado. Mas caso tudo se confirme, essa me parece uma decisão precipitada e que só tende a incentivar a pirataria, afinal, vai ser muito mais fácil usar um game pirata que vai rodar em qualquer console. Aconteceu isso na época do lançamento de Spore. E nem adianta falarem que o sistema é seguro e que nunca será quebrado. A Sony dizia isso do PS3 e hoje em dia já tem gente jogando sem pagar pelos games.

Ao invés de criar sistemas que prejudicam apenas o jogador honesto, a indústria de games deveria pensar em novas maneiras de incentivar as pessoas a comprarem os games originais e novos. Uma ótima iniciativa (que já deveria ter sido tomada há muito tempo) é vender jogos via download por um preço menor do que a mídia física. Além de um possível aumento nas vendas, isso diminuiria a compra e venda de jogos usados, uma vez que o preço do game novo valeria à pena. E quem prefere a mídia física acabaria comprando o jogo novo por não ter muitas opções de usados no mercado.

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Jornalista. Rubro-Negro. Viciado em séries de TV, games e gibis. Esperando ansiosamente pelo fim do mundo com uma épica invasão zumbi (ou de aliens). A verdade é que só tô aqui pela zuera. Sigam-me os idiotas: @felipestorino

5 COMENTÁRIOS

  1. Não seria esse boato uma má interpretação de algo que foi dito pela empresa ou algo que foi lançado ai de propósito pela concorrência para gerar polêmica?

    Uma das mais eficazes maneiras de você conhecer um jogo sempre foi através do empréstimo… Quantos jogos você não conheceu através da locação? Na época dos cartuchos então, nem se fala! A pirataria de forma mais intensa ocorreu com os consoles cuja mídia era o CD e depois o DVD, mas nem isso acabou com a “cultura dos empréstimos”.

    Bem, esse é o nosso cenário, não posso opinar sobre lá fora, onde o preço de um jogo novo é muito menor (ainda mais quando não se trata de um lançamento). Mesmo assim eu não consigo acreditar que algo deste tipo, se for realmente verdade, possa vingar…

    OBS: Falando em gamer por Download mais barato do que na mídia física, é um abuso o valor dos games disponíveis para download na PSN nacional, muitos chegam a ser mais caro que os distribuídos pelas lojas em blu-ray. O que acontece nesse caso? A compra vai ser feita na PSN americana, a um preço mais justo…

  2. Isso é meio que dizer o óbvio, mas com uma trava “anti jogos usados” a mídia física perde totalmente seu propósito, e portanto não deve nem ser uma opção pro consumidor

  3. Achei surreal d+, mas mesmo assim pode acontecer, pq nao ne? Tudo é possível, ainda mais quando as empresas almejam o lucro maximo a qq custo.

    Isso incentivaria a pirataria? Claro que sim, pq iria pagar 100 reais ou 200 reais num jogo que só roda no meu game e só. O barato é trocar com os amigos!

    Eu sinceramente, baixo tudo na internet, nunca mais comprei original de nada!

  4. Nossa, essa história de limitar a quantidade de vezes que você pode instalar um gameé um absurdo! Como você disse, quando você COMPRA algo, imagina que aquilo seja seu.
    Na época do PS2 eu só comprava jogos piratas, mas passava uma raiva danada com tudo travando de repente.
    Agora compro jogos de PS3 novos ou usados, depende do que estiver compensando mais, e sempre revendo depois, então acabo pagando R$ 30/50 por jogo e não passo mais raiva. Já pensou se a Sony implementar esse lance de só poder usar o jogo em três consoles diferentes? Quebram minhas pernas!
    A questão que o Rui levantou é interessante: onde a Sony está com a cabeça quando colocou aqueles preços nos jogos da PSN brasileira? Tava toda feliz achando não ía precisar comprar aqueles créditos pra PSN americana no Mercado Livre, mas não foi o que aconteceu. Ainda bem que dá pra comprar por lá!
    Como o Felipe disse no fim do texto, uma boa saída para diminuir a pirataria é a venda de jogos via download. Será que no futuro não teremos mais games vendidos em formas físicas?

  5. ces tao falando em venda via download como solução pro problema, mas isso nao é justamente pagar por algo que não é seu, atrelado a um unico usuario? Voce deixa de pagar por um produto e passa a pagar por um serviço, o que não é necessariamente ruim, mas diga adeus ao colecionismo, à troca, e principalmente, a possibilidade de desenterrar algum jogo esquecido 10 anos atrás

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