Mais uma vez estou aqui para falar de uma série de tv. No meu último texto, eu apresentei The Shield, uma série que já acabou há alguns anos e que pode ser facilmente encontrada nas melhores locadoras da internet. Então, essa semana resolvi escrever sobre uma série que acabou de sair do forno e que dá tempo de vocês acompanharem semana a semana. Quem me indicou The Newsroom foi o Thiago Chaves (que é um à toa e passa o dia procurando novidades na internet) e, como ela fala sobre jornalismo, acabei me interessando.

A série começa com o jornalista Will McAvoy (interpretado por Jeff Daniels) participando de um debate sobre política e comunicação nos EUA, em uma universidade. Participando junto com ele estão outros dois jornalistas, que debatem ferozmente sobre suas posições políticas, enquanto Will se mantém calado, obviamente em cima do muro. Em determinado momento, o mediador chega a comentar que Will não se posiciona pois está acomodado com sua posição de âncora “imparcial” na tv, que é querido por todos pois não incomoda ninguém. Ele apenas assente com a cabeça.

Porém, como qualquer estudante de jornalismo sabe, imparcialidade é algo que não existe de verdade neste meio. E, ao ser questionado do porque o EUA é o melhor país do mundo, Will tem um rompante de sinceridade e diz com todas as letras que eles NÃO são o melhor país do mundo e que estão muito longe desse patamar. A partir daí a série, por meio do personagem, começa a metralhar o arrogante público americano com diversas críticas ferozes a várias coisas que estão erradas no país. Entre essas coisas, está a necessidade da mídia não admitir que está do lado de alguém e tentar se mostrar imparcial mesmo quando todos sabem que ela não é. Pior ainda, na tentativa de não desagradar ninguém, acaba não cumprindo seu papel principal: informar o povo. As notícias são sempre cuidadosamente selecionadas para que não desagradem muito ao público.

É neste contexto que a série começa de verdade, com grande parte da equipe de Will abandonando seu programa e o âncora tentando voltar a fazer aquele ideal de jornalismo, sem medo de tocar na ferida, mesmo que no começo faça isso a contragosto. Will é aquele jornalista que está meio de saco cheio de tudo e de todos e que acredita que as pessoas não querem saber de todas as verdades, elas querem apenas informações básicas e continuar vivendo suas vidas tranquilamente. A chegada da nova equipe que vai trabalhar com ele começa a mudar essa sua visão quando, a partir de uma notícia que parecia sem importância, eles acabam conseguindo um grande furo de reportagem.

Fora esse lance todo de crítica ao jornalismo atualmente praticado nos EUA (e fora dele, inclusive no Brasil), The Newsroom é muito bem produzida e com um ritmo excelente. Os diálogos são rápidos na medida certa, nada que prejudique o entendimento da série para quem não sabe inglês. Ela também é extremamente competente em transmitir ao espectador toda a correria e agitação de uma redação quando está perto de fechar um jornal, ou quando está prestes a entrar ao vivo na tv com uma grande notícia. Enquanto os personagens andam de um lado pro outro atendendo mais de um telefonema ao mesmo tempo, a câmera vai passeando entre eles, nos dando realmente a sensação de estarmos em uma redação.

Os personagens também são interessantes, apresentando tipos como o produtor que, apesar da pouca idade, está acomodado com o trabalho. Em contraste, temos o produtor que ainda tem energia para correr atrás de notícias, mesmo já tendo visitado metade do mundo. A série mostra ainda a estagiária que acaba dando sorte de ser promovida e agarra esta chance com unhas e dentes, se mostrando bastante competente, assim como o outro jornalista da redação, interpretado pelo Dev Patel (O Jamal de Quem Quer Ser um Milionário?).

Por enquanto, assisti apenas o primeiro episódio (o segundo saiu essa semana), mas realmente fiquei empolgado com The Newsroom e espero que ela mantenha o mesmo ritmo daqui pra frente. Se continuar com a qualidade apresentada no episódio piloto, tem tudo pra fazer sucesso, principalmente entre o pessoal que gosta do assunto jornalismo ou mídia. O único ponto negativo ficou por conta de um acontecimento no final do episódio, que achei meio besta e desnecessário, mas que não ofuscou o restante da história. Ah, e a série é da HBO, o que já é uma certa garantia de qualidade.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

1 COMENTÁRIO

  1. Quando vc falou diálogos rápidos, críticas a imprensa e câmera se movendo na redação algo clicou, e sem erro, é do Aaron Sorkin

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