Quando escrevi sobre Uncharted 3: Drake’s Deception, eu disse que a franquia já começava a sofrer sinais de desgaste e que a Naughty Dog precisava investir em uma nova franquia ou renovar as aventuras de Nathan Drake. Depois disso, a produtora nos trouxe a obra prima The Last of Us, que apresentou uma nova forma de narrativa cinematográfica nos games. Agora, três anos depois, a Naughty Dog nos entrega Uncharted 4. Uma pequena obra de arte que une o que a série tem de melhor com o estilo de narrativa de The Last of Us, além de utilizar o poder do PS4 para entregar um dos jogos mais bonitos do console até o momento.

Enquanto os três primeiros games da série focavam principalmente no mistério a ser explorado pelo protagonista Nathan Drake, em Uncharted 4 a Naughty Dog aposta em uma história mais pessoal. Tendo a família como tema principal, o jogo utiliza os dois primeiros capítulos para apresentar Sam Drake, irmão de Nathan e que nunca foi mencionado na série. Após esse pequeno prólogo, Uncharted 4 dá um salto para o presente e vemos Nate casado com Elena e aposentado das aventuras como explorador. O foco na narrativa é tão grande que jogamos praticamente um capítulo inteiro apenas com o Nate fazendo coisas mundanas, como trabalhando ou jantando com Elena. Quem nunca jogou um game da série provavelmente vai ficar desapontado com a falta de ação nessa parte, mas o fato é que Uncharted 4 foi feito para quem conhece e ama os personagens da franquia.

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O produtores do jogo queriam tanto que nos importássemos com todos os personagens que, pela primeira vez na série, é possível jogar um capítulo inteiro com alguém além de Nate. No caso, Sam Drake, que é o novato da história. Controlar Sam durante todo o tempo em que ele conta para Nate o que andou fazendo enquanto esteve sumido faz com que rapidamente o jogador se apegue ao personagem e se preocupe com ele, assim como se preocupa com o resto do elenco. Além disso, durante a exploração dos cenários Nathan e Sam estão sempre conversando, seja sobre o passado juntos ou comentando as aventuras de Nate. É prazeroso para os fãs identificar que algumas histórias contadas são coisas que aconteceram nos outros jogos da série. Assim como acontece em The Last of Us, é possível iniciar pequenos diálogos entre os personagens apertando o botão triâgulo. E é impressionante como os personagens estão sempre conversando. Mesmo em cenários bem grandes e que demoram para ser atravessados, eles sempre possuem assuntos diferentes para conversar, acrescentando bastante ao estilo narrativo do game.

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Por falar em cenários, Uncharted 4 possui os mais belos cenários já vistos no PS4 até o momento. Desde florestas e Vales que parecem não ter fim, com um belíssimo céu azul e nuvens que se movimentam, até catacumbas e outros cenários subterrâneos repletos de partículas flutuando no ar. Pela primeira vez na série também é possível mergulhar em cenários que possuem água e o fundo do mar é de uma beleza quase real, sem contar a naturalidade com que a água se movimenta. E para acompanhar o excelente trabalho dos gráficos nos cenários, os personagens não ficam para trás. As expressões faciais estão ainda mais realistas do que no jogo anterior e o rosto de cada um apresenta pequenas marcas, como rugas ou cicatrizes. Os olhos parecem realmente vivos e, quando algum personagem está prestes a chorar, eles vão ficando vermelhos aos poucos.

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O sistema de física aplicado nos personagens é tão fantástico que quando Elena e Nate se beijam os narizes deles se dobram levemente ao tocar o rosto um do outro. Aliás, a beleza dos gráficos em Uncharted 4 está nos pequenos detalhes, que é justamente o que mostra todo o carinho com que a Naughty Dog trata os seus jogos. Nas fases em que dirigimos um carro, é possível ver Nathan Drake trocando as marchas do veículo conforme aumentamos ou diminuímos a velocidade. Quando abrimos o diário do protagonista para verificar algo, ele tira o objeto do bolso e o abre antes da página aparecer grande na tela para o jogador. Nesse curto período é possível perceber que a página que vamos ver já está toda ali nas mãos de Nathan, não é apenas uma página genérica, ele sempre abre uma miniatura da última página que visitamos. Um dos cenários possui uma barraca de revistas e é possível ler o que está escrito nas capas delas, assim como conseguimos ler qualquer coisa que esteja espalhada pelos cenários, como placas de ruas ou diplomas pendurados nas paredes. É realmente impressionante.

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Claro que uma narrativa e gráficos sensacionais poderiam ser arruinados por uma jogabilidade falha e, felizmente, não é o que acontece aqui. Uncharted 4 apresenta controles extremamente apurados, além de um equilíbrio perfeito entre exploração e tiroteios. Os cenários a serem explorados são tão grandes que possuem mais de um caminho para se alcançar um mesmo local. Do mesmo modo, as “arenas” também são grandes o suficiente para permitir que o jogador planeje seus ataques furtivos contra os inimigos da maneira que quiser, ou que comece um grande tiroteio com eles. E aqui vem uma das melhores coisas na jogabilidade de Uncharted 4: todos os inimigos a serem enfrentados já estão espalhados pelo cenário, basta ao jogador escolher se vai ser furtivo ou atacar. Caso seja visto por algum inimigo, todos os outros começam a se deslocar até o local e, mesmo assim, é possível conseguir fugir e se esconder novamente. No terceiro jogo, ao ser avistado a sensação que se tinha era de que surgiam inimigos do nada, mesmo que o cenário não mostrasse locais onde eles pudessem estar.

A sensação que fica ao terminar Uncharted 4: A Thief’s End é que ele foi uma grande homenagem a toda a série e uma espécie de despedida para os fãs. Assim como os personagens, o próprio jogador vai ficando feliz à medida que reencontra velhos conhecidos, além de torcer para que tudo acabe bem e que eles possam finalmente ter um pouco de paz depois de tanta confusão. O epílogo do jogo trata de não deixar nenhuma ponta solta e mostra que a Naughty Dog está pronta para deixar Nathan Drake e sua família descansarem em paz e, quem sabe, partir para a criação de uma nova e empolgante franquia.

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124776759_1GGUncharted 4: A Thief’s End

Desenvolvedora: Naughty Dog

Plataforma: PS4

Ano de lançamento: 2016

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Submarino | Americanas | Saraiva

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