Há 16 anos era lançado X-Men: O Filme pela Fox, apresentando a equipe mais famosa da Marvel ao grande público, renovando o gênero de super-heróis no cinema, que já estava em declínio (alguém lembra de Batman & Robin, de 1997?) e abrindo espaço para toda uma leva de novos filmes, bons e ruins. A primeira trilogia do Homem-Aranha e do Batman do Nolan são alguns exemplos. De lá pra cá os mutantes ganharam duas sequências, fechando a primeira trilogia (X-2 e Confronto Final), dois filmes solos do Wolverine, e mais dois de uma nova trilogia (Primeira Classe e Dias de Um Futuro Esquecido), sendo Apocalipse o terceiro.

Os fãs dos filmes X são complicados de agradar. E com a chegada da Marvel/ Disney no cinema, uma áurea de negatividade paira sobre os X-Men, com boa parte querendo que eles sigam o estilo de Vingadores e Cia, ou partem para o estúdio de vez. Mas o público dos filmes X é variado, enquanto alguns são fervorosos e acompanham as HQs, muitos vieram da animação clássica, enquanto outros cresceram com X-Men Evolution. As expectativas são distintas, diferente dos filmes da Marvel como Guardiões da Galáxia ou Homem-Formiga, onde a grande maioria desconhece e cria o primeiro vínculo ali.

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Posto isso, X-Men: Apocalipse está longe de ser o xApocalypso que a crítica quis vender, pelo contrário. Possui ótimas atuações, trilha sonora, sequências de ação incríveis e muito fã service. É a tentativa final de alinharem a cronologia dos filmes, deixando poucos furos e dando passagem pra uma retomada mutante totalmente diferente, voltada pra equipes e para o gênero super-herói propriamente dito.

O filme começa com En Sabah Nur, o Apocalipse (Oscar Isaac), no Antigo Egito. Ele possui a habilidade de transferir sua consciência à um novo corpo mutante, adquirindo sua habilidade e, sendo assim, acumulando poderes de outras vidas. Com a ajuda de seus 4 Cavaleiros, ele inicia uma nova transferência, porém é sabotado pelos egípcios que o consideram “um falso deus”. A introdução é grandiosa e bonita, além de violenta! Em seguida vemos aquela viagem que sempre acontece no filme, mostrando os créditos até chegar na Porta X, que dessa vez é com um túnel do tempo, bem caprichado.

A história em si ocorre na década de 1980, 10 anos após os eventos de Dias de Um Futuro Esquecido. Moira McTaggert (Rose Byrne) descobre um culto secreto no Egito e se depara com os escombros da pirâmide do início, ressuscitando Apocalipse. A primeira parte do filme foca em apresentar En Sabah Nur no mundo contemporâneo, escolhendo seus 4 novos Cavaleiros e no núcleo principal de heróis: a descoberta de poderes do Ciclope, a Jean Grey e Noturno, além de fazer um apanhado em como está a vida de Mística e Magneto.

É o típico início de recrutamento, sem grandes novidades. Uma das qualidade dos X-Men sempre esteve em seu subtexto e aqui não é diferente. Vale a pena ver como Apocalipse aprende as diversas línguas desse novo mundo e como ele vê as armas nucleares ou, num determinado momento, em que ele fala que poderia ser onisciente com os poderes de Xavier, se igualando a um deus de fato. Sem contar na diversidade, um tópico sempre em debate e que os X-Men conseguem tirar de letra. Logo na primeira parte vamos do Egito à Polônia, passando por Berlin, Inglaterra e EUA. São nacionalidades e etnias diferentes. Ainda lamento, como falei na review do filme anterior, de não ser o Estrela Polar no lugar do Mercúrio.

Ao contrário dos filmes anteriores, Apocalipse se desenvolve de maneira mais clássica: após o recrutamento há um conflito entre os mocinhos, com a cena do Mercúrio, o confronto entre as equipes e as reviravoltas de times. Com foco nas ações. Tudo muito megalomaníaco e colorido, com cenas sangrentas e sensacionais. Mas um tanto brega, também.

Pontos Positivos:

– Equipes concisas: um problema que a franquia sofre no cinema são os mutantes aleatórios. Cada filme tem uns 5 sem fala, que somem ou morrem, desperdiçando personagens. Azazel, Blob, Angel, Bishop, Apache e até a Emma estão inclusos nesse problema. Em Apocalipse isso praticamente não ocorre e mesmo os personagens com poucas falas, possuem um certo destaque e não são jogados fora. Até aqueles que passam rápidos, como Blob, eles tomaram cuidado de não enterrá-los. Isso foi muito bom, deixou as equipes mais fechadas e deram espaço, para o próximo filme, trabalhar com uma equipe de X-Men de verdade.

– Cenas de Ação: já sabíamos, pelos inúmeros trailers, cenas e imagens, que o pau ia comer nesse filme. E ele não desaponta. Todas as lutas são muito boas, com destaque para Anjo Vs Noturno. O Anjo sempre foi meio pombo, pra mim, mas aqui ele está bem mais feroz que de costume (apesar de não ficar claro se ele é o Anjo que conhecemos). Sua asa possui uma garra que é animal. Psylocke rouba todas as cenas em que aparece, ela está com a espada tanto física quanto a psíquica, simplesmente sensacional. E é sempre bom ver o mundo sendo destruído over and over again. Bryan Singer sabe fazer cenas grandiosas.

– Noturno, Ciclope e Jean Grey: esse é o núcleo principal e que, provavelmente, formará a equipe daqui pra frente. São, também, os personagens com melhor desenvolvimento. Ciclope finalmente sai do escanteio e se firma como um mutante com grande poder de destruição e de iniciativa. Jean está entre a moça indefesa e àquela que possui a Força Fênix (cuja origem ainda não foi especificada), protagonizando uma excelente sequência final. E Noturno acabou sendo a surpresa do filme: ingênuo, cristão e sempre com boas ações, impossível não se apaixonar.

– Mística/ Magneto: Raven é minha mutante preferida. Essa versão da Jennifer Lawrence está longe de ser a ideal, não fazendo jus à ótima Rebecca Romjin. Ela ainda é tida como heroína, é um 7×1 atrás do outro. Felizmente, apesar dela ser uma “líder”, não é o foco do filme. Fassbander sempre entregando uma ótima atuação de Magneto e ficando na linha tênue entre o bem e o mal que tanto caracteriza seu personagem, suas motivações são reais e o subtexto é muito bom. Destaque para a bolha que ele cria e quando manipula o centro da Terra, lembrando quando ele ameaçou o campo eletromagnético da Terra e acabou ganhando Genosha de presente da ONU, nas HQs.

– Mercúrio: seguindo o formato que fez sucesso em Dias de Um Futuro Esquecido, mais uma cena em slow-motion protagonizada pelo Mercúrio. Em Apocalipse há duas, mas só a primeira é o “destaque”. Ao contrário do filme anterior, aqui ele se entrega totalmente ao mundo pop e à cultura dos anos 1980. Quando começa a tocar Sweet Dreams do Eurythmics e a cena se inicia, é fantástico. Além de engraçada. New Wave pura.

– Apocalipse e Psylocke: muitos criticaram a parte estética de Apocalipse. De fato, ele não chega nem aos pés do monstro que é nas HQs, mesmo a extensão de seus poderes não é bem explicada. Outra diferença em relação ao original, é que no filme Apocalipse libera a potencialidade dos cavaleiros através do toque, e na HQ tem toda uma parafernália com o seu sangue e imunidade. Mas, dentro do que o filme propõe, ele se encaixa bem, sendo bastante realista, mostrando um mutante poderoso que acorda num novo mundo que não entende e tenta terminar o que tinha começado, mas ainda um humano. Apesar de se auto-intitular um deus, ele tem limitações e as assume. Psylocke está animal, desde o momento em que surge, com sangue no olho, até ela cravando a espada num prédio pra não se arrebentar no chão, ela se destaca. Infelizmente, não há grandes explicações sobre ela.


Pontos Negativos:

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– Cavaleiros do Apocalipse: enquanto o núcleo de heróis é bem desenvolvido, os Cavaleiros (com exceção de Magneto, que já conhecíamos) não recebem o mesmo tratamento. O Anjo é o típico rebelde, lutando pra sobreviver. Psylocke é a guarda-costas de um certo lugar, cuja função é agir quando for preciso. Tempestade recebe um pouco mais de carinho, mostrando sua adolescência como ladra, a origem de seu cabelo branco (que poderia não existir) e o fascínio pela figura da Mística, tida como heroína, já fazendo uma ponte com sua ida ao Instituto. Mas de maneira geral, os 4 Cavaleiros são um tanto genéricos e não dão tanto trabalho quanto era pra ter dado.

– Breguice & Descontração: muitos clamam por um X-Men feito pela Marvel Studios, seja com uniformes coloridos e clima descontraído ou não. Acho que com Apocalipse tivemos um vislumbre de como isso poderia ser e que, pra mim, foi a parte mais trash do filme. Há muitas cenas descontraídas, acabando por não deixar tensão em nenhum momento. Em Dias de Um Futuro Esquecido eu cheguei a me emocionar em algumas partes, como quando o Magneto do futuro faz de tudo pra proteger o Xavier, ou quando o Magneto do passado ergue o estádio. Em Apocalipse há cenas sensacionais, mas nenhuma tensa. A própria sequência do Mercúrio ocorre em meio à tragédias e estamos rindo. Tudo acompanhado de bastante breguice. Apocalipse e os Cavaleiros reunidos parecem Mortal Kombat – Aniquilação, todo mundo em pose e com carão no deserto. Mesmo quando querem impor medo e respeito, impossível levar a sério com a Psylocke e seu uniforme do lado. Não sei se estou com MK na cabeça, mas até a entrada da Tempestade parece a Sindel dando um supergrito. Tudo muito caricato.

X-Men: Apocalipse é um ótimo filme dos X-Men, com boa atuação e trilha sonora, apostando no que deu certo, com equipes sólidas, sem desperdiçar personagens e cenas de ação sensacionais, deixando tudo bem redondo pro futuro. Infelizmente, os dramas pessoais e preconceito típicos dos mutantes foi deixado um pouco de lado, dando espaço pra algo mais espalhafatoso.

X-Men: Apocalipse (EUA/2016)

Direção: Bryan Singer

Duração: 2h 24min

Elenco:  James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Rose Byrne, Evan Peters, Josh Helman, Sophie Turner, Tye Sheridan, Ben Hardy, Kodi Smit-McPhee, Alexandra Shipp, Lana Condor, Lucas Till.

nota 8,0 ;


Spoilers:

– Fã Service: há muitas cenas que quem acompanha as HQs vai pirar. Mesmo àqueles que acompanharam a animação clássica. Talvez mais que em todos os filmes anteriores. Começando por um Caliban fashionista e maravilhoso cuidando do submundo mutante, o que talvez possa a vir ser os Morlocks. Quero vê-lo mais pra frente! Seguindo para a cena com o Wolverine, no Complexo do Lago, onde ele está vestido como a Arma X, com toda a parafernalha de uma das melhores histórias dos X-Men: a Arma X do Barry Windsor-Smith. Sensacional. Num determinado momento, Jubileu e os novos integrantes vão passear no Shopping, cena que talvez virá na versão estendida. Alguém se lembra do passeio na animação? Psylocke gerando um chicote e lutando contra o Fera também é ótimo. Um ponto em que eles mexeram e que é muito importante é o “plano astral”, numa luta entre Xavier e Apocalipse, em que Jean surge para auxiliar numa outra sequência muito boa. Nas HQs, esse plano vira e mexe aparece, principalmente com a Emma Frost. Já é um passo para poderem tratar da Sala Incandescente, onde fica as hospedeiras da Força Fênix. A própria Jean também se mostra poderosíssima e é ela que acaba com En Sabah Nur.

– O Futuro: a cena pós-crédito é bem fuleira, mostrando alguns cientistas entrando no Complexo do Lago, limpando a bagunça feita e recolhendo uma amostra de sangue do Wolverine, colocando numa maleta com outras amostras. Quando fecha, vemos o logo da empresa do Sr. Sinistro. Isso já abre, pro futuro, espaço para tratarem de clonagem e incluir a X-23 ou até mesmo darem um jeito de surgir o Cable, que pode estar presente no próximo filme do Deadpool.

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