A libre! foi um projeto financiado através do Catarse. Pra quem não conhece bem, isso significa que a revista foi financiada com dinheiro de pessoas que queriam ver a HQ concretizada nesta nossa dimensão física e recebê-la em casa ou no formato pdf (isso iria depender de quanto você doasse, os caras também não tão trabalhando literalmente de graça né galera).

Sem ajuda de editora alguma um bando de desenhistas malucos da internet se juntaram para produzir uma espécie de coletânea, com trabalhos já presentes na webz e muitos outros inéditos. A maioria desses desenhistas du barulho já produziam algo em conjunto, em páginas como dadaísmo em quadrinhos e quadrinhos insones.


Apesar da maioria (se não todos, não sei) ser estreante no papel (excetuando-se aqui fanzines, claro), já alcançavam certa notoriedade por aí e formaram uma boa quantidade de público “fixo” através das já citadas páginas do facebook.

Enfim, os caras mostraram que não precisam do aval dos arcontes que controlam a dimensão da realidade artística da era industrial – vulgo EDITORES, que pagam miséria pra publicar coisa boa de iniciante e ainda passam a perna nos ganhos. Arregaçaram as mangas e construíram a parada sozinhos, quer dizer, com ajuda apenas de seus fãs.

Vamos ao que interessa:


Confesso que a primeira vez que vi a libre! impressa não me senti atraído a ler, fiquei mesmo um pouco decepcionado. Não sei como foi a escolha, mas essa capa ficou muito sem graça hein caras?

Folheei a revista rapidamente e fiquei um pouquinho mais frustrado. Por não ser acostumado com tanta variedade de traços e enredos num espaço só aquilo me pareceu muito estranho. Deixei a revista de lado.

Algumas semanas depois (HOJE) consegui arrumar algum dinheiro extra (que devia gastar em livros no Salão do Livro do Piauí, mas os livros nessa porra de Salão do Livro estão mais caros que na internet, então desisti) e comprei minha edição da libre!

Sem esperar muita coisa, comecei a ler dentro do ônibus, seria uma viagem de 40-50 minutos até chegar à minha parada, precisava me entreter. Pois bem, que surpresa! Ao contrário da capa sem graça, o conteúdo da revista, se lido com calma, era maravilhoso.


Cada tirinha, cada desenho, cada passagem, prendeu minha atenção. Mesmo aqueles que eu achava confusos e perdidos no meio da coletânea enquanto só passava o olho semanas antes, ao ler de verdade me pareceram ter sua presença ali justificada. Só larguei a HQ quando cheguei na minha parada!

Não querendo deslembrar todos os outros que participaram da empreitada (Diego Sanchez, Daniel Cramer, Vidi Descaves, Gus Morais, Beatriz Lopes e João Castro – e mais uns ai), mas Lucas Maciel e Felipe Portugal me chamaram particularmente atenção. O traço, as cores e o clima esquisito que os caras trazem são muito interessantes, espero ver em breve mais coisas deles impressas pra comprar.


Só que obviamente nem tudo são flores lindas-lindas-lindas-lindas.Tirando o fato da capa ser meio sem graça, existem alguns problemas sérios de editoração na HQ: EM GERAL não dá pra saber no final das histórias/tiras quem é o autor, isso não é legal, deixa a gente muito confuso (ainda mais noobs que não sabem diferenciar e categorizar traços muito bem como eu); falta o número das páginas nas…. páginas! Sendo que no final do livro há um índice dizendo quem foi o autor de qual página (??????????); e tem umas 3 ou quatro páginas muito mal colocadas na HQ, com isso quero dizer que são literalmente embaçadas e ilegíveis mesmo, não é questão de opinião.

A libre! foi uma grata surpresa entre as obras independentes produzidas no Brasil nesse esquema de financiamento pelo público. Com conteúdo de qualidade, espero que apareçam muitos outros trabalhos desses caras por aí!

Livro: Libre

Autores: Diego Sanchez, Daniel Cramer, Vidi Descaves, Gus Morais, Beatriz Lopes, João Castro, Lucas Maciel e Felipe Portugal (e mais alguns colaboradores)

Páginas: 150

Nota: 8

(Quem quiser comprar a sua edição fala com o Felipe Portugal aí!)

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Anarco-parasita; místico urbano; aprendiz na arte-sabotagem; divulgador dos beneficios do DOUBLE VEGETTA; historiador perdido na cozinha do caminho entre a antiguidade e a contracultura; outsider caçado pelo Diretório da interzone; sempre de olho nos arcontes do cosmos e nos UFOs que eventualmente aparecem, além de muitas outras coisas sem sentido que se tem por aí. @Agrt

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